A epidemia de zika e dengue não aumentou apenas os lucros de fabricantes de repelentes. Em cenário de recessão, o mercado de produtos que impedem a entrada do Aedes aegypti nas casas está em expansão, com vendas em alta de telas mosquiteiras e capas protetoras de caixa d’água. Algumas empresas estão até ampliando o
quadro de funcionários.
Em fevereiro, a Sasazaki, que fabrica telas, registrou aumento de 160% nas vendas. A empresa, que tem mil funcionários, reaproveitou a mão de obra ociosa com a queda nas vendas de outros produtos para incrementar a produção de telas. O diretor comercial da Sasazaki, Neylor Brito, aponta que, antes da epidemia, as pessoas buscavam telas como medida de conforto para evitar a entrada de pernilongos e outros insetos. Agora, as motivações são medo da doença e preocupação com a saúde. “A venda de outros produtos caiu por causa da crise, mas em compensação tem algumas oportunidades que você só encontra nesses momentos”, diz.
CONTRATADOS
A Alumintelas, que tem representantes de vendas no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e São Paulo, já está importando produtos mais sofisticados para atender aos clientes mais exigentes. Há desde telas simples, por R$ 30, até telas que podem ser recolhidas por controle remoto e sensor de presença, que chegam a
R$ 5 mil. A quantidade de novos clientes cadastrados saltou de uma média de 250 por mês entre janeiro e março de 2015 para 500 no mesmo período deste ano, diz Leandro Dias,
gerente de vendas.
Nos últimos meses, mais 15 funcionários foram contratados para atender à demanda. Na Victoria Reggia, fábrica localizada em São Paulo, o aumento de vendas de telas protetoras e capas para piscina e caixa d’água foi de 20% a 25% no primeiro bimestre. A empresa tem agora 15% mais funcionários contratados nos últimos meses. “Se a epidemia continuar, devemos contratar mais”, diz Marcelo Patriota, gerente de vendas.
A geóloga Anabela Porto gastou R$ 2 mil na instalação de telas nas portas e janelas de seu apartamento. Ela teve dengue há dez anos, mas decidiu colocar a tela em novembro, logo após o início do surto de zika, chikungunya e dengue. “O uso da tela até nos ajudou a economizar energia porque, de vez em quando, dá para desligar o ar-condicionado”.
(Com informações da Agência O Globo)
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