Palco da abertura da Copa do Mundo de 2014, a construção da arena Corinthians foi viabilizada com o pagamento de propina pela Odebrecht. A afirmação é do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos coordenadores da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba.
Segundo ele, os rastros de repasses ilegais apareceram em planilhas apreendidas que indicam o envolvimento da diretoria da Odebrecht que cuida da gestão do contrato com o Itaquerão. O procurador disse que ainda está em análise inicial a lista dos destinatários dos pagamentos.
Conforme o Ministério Público Federal, o diretor de contrato da Odebrecht Infraestrutura, Antônio Roberto Gavioli, responsável pela obra da Arena do Corinthians, figura em planilhas como responsável por solicitação de pagamentos em espécie de R$ 500 mil, em data não identificada, para pessoa identificada pelo codinome "Timão".
O vice-presidente do Corinthians, André Luiz de Oliveira, o André Negão, foi levado pela Polícia Federal em condução coercitiva autorizada pelo juiz Sergio Moro. A informação foi confirmada pelo ex-presidente e deputado federal Andrés Sanchez (PT-SP). "Ele está depondo. É a única coisa que sei", afirmou o dirigente à reportagem.
Sanchez disse não ter conhecimento sobre o suposto pagamento de propina para a construção do estádio do clube, em Itaquera. O dirigente era presidente do Corinthians no início das obras.
"Não é verdade. Ou eu pelo menos nunca soube e para mim nunca teve [propina]. E se teve também quero saber para conseguir um desconto no valor da obra. A arena vai custar menos", afirmou à reportagem.
"Espero que se investigue logo tudo para pôr fim nessas especulações. Se alguém fez merda, que se pague", acrescentou o dirigente.
"Não tenho nada a temer, nem o Corinthians, nem a arena", completou.
Nesta fase, disse o procurador, o único estádio que apareceu foi o do Corinthians. Segundo ele, há indicativos de pagamentos de propina em outros estádios da Copa, segundo "indicativos de delações que ainda estão em andamento".
(Folhapress)
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