A presidente Dilma Rousseff fez pronunciamento à imprensa no final da tarde desta segunda-feira (18), no Palácio do Planalto. A entrevista coletiva durou cerca de 35 minutos.
Dilma comentou sobre a abertura do processo de impeachment contra seu mandato, aprovado na Câmara dos Deputados, na noite de domingo (17), e foi seu primeiro posicionamento público após a aprovação.
Ela começou o discurso dizendo que se sente injustiçada, pois o processo não tem base de sustentação. “Injustiça sempre ocorre quando se esmaga o processo de defesa e, também, quando se acusa alguém por algo que não é crime".
A presidente disse ainda: “sempre lutei pela democracia e vou continua lutando por ela. Na juventude, enfrentei por convicção a ditadura e agora enfrento também por convicção um golpe de Estado. Um golpe que não é tradicional como o da minha juventude.”
Ela garantiu que assistiu todos os pronunciamentos dos deputados, mas não viu nenhuma menção a um verdadeiro crime de responsabilidade.
"Eu não os fiz ilegalmente. O pior é que tenho certeza que todos sabem que é assim. Não há contra mim acusação de enrequecimento, de ter contas ocultas no exterior. Não permitiram que eu governasse, nos últimos 15 meses, num clima de estabilidade política", comentou.
O vice-presidente Michel Temer também foi citado no pronunciamento: "É estarrecedor que um vice-presidente em mandato conspire contra a presidente e que em nenhuma democracia do mundo ele seria respeitado. A sociedade não gosta de traidor."
Dilma finalizou o pronunciamento afirmando que enfrentará o processo e vai se defender no Senado.
“Ao contrário do que alguns anunciaram, não começou o fim. Estamos no início da luta, uma luta longa e demorada. É uma luta que não envolve só meu mandato, é pela democracia. Não é por mim, mas pelos 54 milhões de votos que recebi”.
JORNALISTAS
Após o discurso, Dilma passou a palavra aos jornalistas para que pudessem fazer perguntas.
Uma das perguntas foi sobre o pior momento que já enfrentou: se a ditadura militar ou o atual.
“Sem sombra de dúvidas, a ditadura é o pior dos mundos. A democracia pode não ser perfeita e absolutamente sem falhas, mas ainda é o melhor regime”, respondeu Dilma.
Sobre o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Mauro Lopes, Dilma confirmou que ele não faz mais parte do governo por ter votado a favor do impeachment.
Dilma também foi questionada se pretende negociar com senadores. “Nós acreditamos que não se trata disso nesse momento. Não se trata de modificar ministérios nem tomar medidas em termos de cargos. Aquelas pessoas que votaram a favor do impeachment não há justificativa para que permaneçam no governo".
Sobre o ex-presidente Lula, a presidente disse que “de fato tem me ajudado muito com esse processo. Nós esperamos que nesta semana seja autorizada a vinda dele para a chefia da Casa Civil. Minha relação com ele é a mesma de sempre: somos companheiros, companheiros especiais. Trabalhamos juntos durante 7 anos”.
Ao fim da coletiva, Dilma disse: “acredito que será necessário uma grande rearranjo do governo. Na verdade, estou enfrentando um quarto turno. Depois dele, além das medidas que já anunciamos, lançaremos outras medidas”.
A presidente não esclareceu quais são as medidas econômicas que serão anunciadas porque as medidas que estão em curso ainda devem ser aprovadas no Congresso.
(DOL)
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