Depois de muita polêmica e protesto, que incluiu a ocupação de prédios públicos, o presidente interino Michel Temer decidiu recriar o Ministério da Cultura. Uma medida provisória deve ser editada hoje com a volta da pasta. Temer ligou sábado para o ministro da Educação, Mendonça Filho, que anunciou a mudança. A Cultura estava, como secretaria, sob o guarda-chuva do MEC. Com a decisão, o secretário da pasta, Marcelo Calero, passa a ministro. Temer decidiu rever sua decisão de extinguir o ministério depois de avaliar, e ouvir auxiliares próximos, que o desgaste ia se prolongar e continuaria sob pesada artilharia da classe artística. O presidente pesou prós e contras e entendeu que seria melhor ser acusado agora de mais um recuo no seu governo e assim, acredita, encerrar o assunto. - Não queremos que a fusão (revista) vire mote de exploração política de grupos radicais. O presidente me ligou hoje de manhã (sábado), conversamos e ele tomou a decisão de recriar o ministério. Vai editar um MP na segunda e na terça o novo ministro toma posse. Trabalharemos de forma integrada, até porque os valores da educação são os mesmos da cultura, disse Mendonça Filho. O ministro disse não considerar uma derrota pessoal nem de seu partido, o DEM, a retirada da Cultura de seu ministério. Para ele, não é a existência de um ministério específico para a cultura que vai garantir a valorização do setor, mas, sim, medidas concretas. A decisão não foi unânime dentro do governo. O ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, disse que foi contrário à volta do ministério. - Fui vencido internamente. Como governo, defendo a decisão adotada, disse Geddel. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a decisão de Temer de voltar com o Ministério da Cultura não atrapalha os planos do governo de reduzir gastos. (Folhapress) |
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