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Planalto e os novos tempos

A primeira providência que o presidente interino, Michel Temer, tomou ao assumir o posto foi fazer uma limpeza no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde fica o gabinete presidencial. Ele não quis aproveitar nenhum dos funcionários que até dez dias an

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A primeira providência que o presidente interino, Michel Temer, tomou ao assumir o posto foi fazer uma limpeza no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde fica o gabinete presidencial. Ele não quis aproveitar nenhum dos funcionários que até dez dias antes trabalhavam ali com sua companheira de chapa, a presidente afastada Dilma Rousseff. Secretárias que trabalhavam no terceiro andar há décadas ficaram revoltadas de terem que deixar suas funções, contrariando uma tradição de que os ocupantes de cargos comissionados mais simples permaneciam nos postos, gestão após gestão. O novo governo temia que seus movimentos fossem espionados e repassados para aliados de Dilma.

- Não ficou ninguém para contar a história. Está todo mundo com ódio. Mas ele está certo. Ali, só uns quatro ou cinco não eram petistas, relata uma secretária que trabalhava no terceiro andar desde que José Sarney ocupou o gabinete presidencial.

Junto com a equipe identificada com Dilma saiu também a forma dela de governar. O jeito cercado de sigilo e circunscrito a um pequeno grupo de confiança deu lugar a uma turma que atua mais integrada, onde a comunicação flui melhor. Enquanto Dilma não tinha apreço pelas relações políticas, Temer tem no coração de seu time profissionais que circularam a vida inteira no mundo parlamentar.

Com a chegada do peemedebista, o Palácio do Planalto se tornou uma extensão da Câmara. Agora há deputados circulando pelos gabinetes do segundo, terceiro e quarto andares, e até mesmo usando salas de reuniões para despachar antes de encontros com ministros e com o presidente interino.

Líder do PR, o deputado Aelton Freitas frequentava o palácio em reuniões com o núcleo político da gestão petista. Votou contra o impeachment da presidente afastada, mas, na última terça-feira resumiu assim o novo espírito do Planalto, ao sair de uma reunião com Michel Temer.

- Nunca fui tão bem recebido. Mudou da água para o vinho.

Os mais assíduos no palácio são os peemedebistas Lúcio Vieira Lima, Darcísio Perondi (RS), Baleia Rossi (SP), e Paulo Pereira da Silva (SD-SP). Na véspera da escolha de André Moura (PSC-SE) para líder do governo na Câmara, Paulinho, que acumula a função de presidente da Força Sindical e coordenou a campanha pela indicação de Moura, despachava com o deputado Zé Silva (SD-MG) numa sala de reuniões no quarto andar do palácio presidencial. Os dois discutiam a lista de apoios de parlamentares e calculavam assinaturas em apoio ao parlamentar.

(Folhapress)

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