O advogado do senador Romero Jucá (PMDB-RR), Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou nesta terça-feira (7) que "prefere dizer que não acredita" no pedido de prisão de seu cliente."Pelo que eu vi, pelo que eu soube, não havia nada que justificasse uma medida como essa", disse o defensor. Kakay reconheceu, porém, que ainda não teve acesso aos autos da investigação. "Estamos pedindo acesso desde sexta-feira (3), sem sucesso.
"Além de Jucá, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de prisão do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e do deputado afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
É a primeira vez que a PGR pede a prisão de um presidente do Congresso e de um ex-presidente da República.No caso de Renan, Sarney e Jucá, a base para os pedidos de prisão tem relação com as gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado envolvendo os peemedebistas. As conversas sugerem uma trama para atrapalhar as investigações do esquema de corrupção da Petrobras.
De acordo com o jornal "O Globo", a iniciativa dos líderes de PMDB de rever a lei que trata da delação premiada seria um dos fundamentos do pedido de prisão feito pela Procuradoria. Em uma das conversas reveladas pela Folha de S.Paulo, Renan aparece defendendo que pessoas presas não possam fechar acordos de delação.
Segundo Kakay, o fato de políticos discutirem projetos de alteração de leis "é natural, compete ao Congresso discutir a legislação". "Se for essa o principal argumento [para o pedido de prisão], é estarrecedor", disse o advogado.
Em nota, Renan reafirmou que não praticou nenhum "ato concreto que pudesse ser interpretado como suposta tentativa de obstrução à Justiça" porque "nunca agiu, nem agiria, para evitar a aplicação da lei", e considerou a iniciativa da PGR como "desarrazoada, desproporcional e abusiva".
O peemedebista disse ainda que não teve acesso aos fundamentos que embasaram os pedidos de prisão e fez uma crítica ao Ministério Público ao dizer que as "instituições devem guardar seus limites".
"Por essas razões, o presidente considera tal iniciativa, com o devido respeito, desarrazoada, desproporcional e abusiva. Todas as instituições estão sujeitas ao sistema de freios e contrapesos e, portanto, ao controle de legalidade. O Senado Federal tem se comportado com a isenção que a crise exige e atento à estabilidade institucional do país. A nação passa por um período delicado de sua história, que impõe a todos, especialmente aos homens públicos, serenidade, equilíbrio, bom senso, responsabilidade e, sobretudo, respeito à Constituição Federal", escreveu.
CUNHA
Em nota divulgada por sua assessoria, Cunha informou que não vai se pronunciar. Ele tem negado recebimento de propina e envolvimento com irregularidades.A reportagem ainda não obteve a manifestação dos demais alvos do pedido de prisão.
(Folhapress)
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