Um suposto caso de corrupção dentro da empresa telefônica Vivo, que teria gerado desvios de pelo menos R$ 27 milhões, foi denunciado pelo jornalista Fernando Rodrigues, do portal UOL, e repercutem pelo país. As suspeitas vieram à tona após a demissão da diretora de marketing da companhia, Cris Duclos, no último dia 13 de junho.
Segundo Fernando Rodrigues, Cris Duclos utilizava três das agências de publicidade que atendiam a Vivo para superfaturar produções de filmes publicitários. Em contrapartida, as agências enviavam propina para a diretora.
Ainda de acordo com a denúncia, Cris fez um acordo com a agência Africa, do publicitário Nizan Guanaes, para contratar o marido dela, Ricardo Chester, que também recebia propina na forma de um salário milionário, muito acima da média da equipe.
O que teria desencadeado as suspeitas sobre Cris, e a consequente demissão, foi a compra de um terreno em um condomínio de luxo entre Itatiba e Bragança Paulista. Por ser um valor muito elevado, o presidente da empresa, Amos Genish, foi consultado como referência e descobriu que a diretora de marketing estava comprando, à vista, um terreno no Quinta da Baroneza por R$ 4 milhões.
O jornalista Fernando Rodrigues fez denúncias sobre o caso, no dia 22 de julho, por meio do Twitter, mas, no mesmo dia, apagou as mensagens.
MUDANÇAS NA VIVO
De acordo com o portal Painel Político, após a demissão de Cris Duclos, a empresa Vivo criou uma vice-presidência executiva de Receitas, que comanda setores como Marketing, Vendas, Inovação e Estratégia Digital.
Uma reportagem do jornal “Valor Econômico” também declara que a companhia deve passar por mudanças como a produção de um novo Código de Ética na contratação de fornecedores e descredenciamento de prestadores de serviços.
A telefônica Vivo tem a 8ª maior verba de publicidade do país, girando em torno de R$ 1,3 bilhão.
RESPOSTA DOS ENVOLVIDOS
Por meio de nota, após questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa Vivo negou que há procedimentos de auditoria em curso e que não está em curso a adoção de códigos e manuais de boa conduta específicos nesta área. Declarou ainda que não faz revisão de todos os contratos e acordos dos prestadores de serviços com vistas a possíveis descredenciamentos.
A Vivo também ressaltou que adota “princípios de atuação ética”, “fomenta e incentiva a observância de normas e regras internas relacionadas à compliance” e trabalha com “procedimentos de controles internos aplicáveis às suas operações e atividades, os quais estão em constante atualização e aprimoramento, com vistas a manter os mais altos padrões de excelência”.
Já Cris Duclos, ex-diretora de comunicação e imagem da Vivo, que foi demitida da companhia no mês passado, declarou, por meio do perfil pessoal no Facebook, que são "vítimas de um ataque de reputação arquitetado a partir de histórias fantasiosas e falsas acusações”.
Leia a nota, na íntegra, da ex-gestora.
“AOS NOSSOS AMIGOS.
Eu e meu marido somos vítimas de um ataque de reputação arquitetado a partir de histórias fantasiosas e falsas acusações.
Tentaram nos levar aquilo que de mais valioso um ser humano carrega.
Tentaram levar a nossa honra.
A verdade é que não há nada de errado com o nosso patrimônio.
Tudo foi conquistado de forma honesta. Honesta como somos e como deve ser.
Nunca adquirimos nada com recursos não provenientes de remuneração justa e declarada do nosso trabalho.
Temos duas carreiras longas e bem sucedidas.
Vinte e seis anos no meu caso, trinta anos no caso do meu marido.
É penoso sermos vitimados por pura boataria.
Mais difícil ainda é termos que nos explicar por algo que nunca fizemos.
Apesar deste atentado à nossa integridade, ela segue conosco. Intacta.
Aos que manifestaram apoio, um sincero agradecimento.
O caso está entregue a advogados que já colocaram em prática todas as providências necessárias e cabíveis.
É o que podemos dizer até o momento.
Cris Duclos e Ricardo Chester.
Por fim, as agências Africa, DPZ&T e Y&R, que dividem a conta publicitária da Vivo, também emitiram resposta conjunta ao site Meio&Mensagem.
"A Africa, DPZ&T e Young & Rubicam (Y&R) estão entre as agências mais renomadas e admiradas do país e atuam seguindo as mais rígidas normas de conduta e compliance. Nosso trabalho é amplamente reconhecido pelos prêmios que recebemos ao longo dos anos e, principalmente, pela confiança de nossos muitos clientes, parceiros e colaboradores.
Em seu comunicado público a Telefônica esclareceu que “trabalhos internos relacionados com auditorias e revisões, sejam eles de processos, procedimentos e contratos são atividades rotineiras e correspondem a ferramentas (…) compatíveis com as melhores práticas de mercado”.
No mesmo documento, a empresa afirmou que “não há procedimento em curso com as características referidas (…)” qual seja “acerca de suposta preocupação específica da Companhia quanto à área de marketing, trazendo referência a uma possível auditoria geral em relação a essa área, com a adoção de códigos e manuais de boa conduta específicos, assim como a revisão de todos os contratos e acordos dos prestadores de serviços da referida área, com vistas a possíveis descredenciamentos”.
Ainda no documento, a empresa reforçou que “adota procedimentos de controles internos aplicáveis às suas operações e atividades, os quais estão em constante atualização e aprimoramento, com vistas a manter os mais altos padrões de excelência”.
É dentro deste ambiente que as agências Africa, DPZ&T e Young & Rubicam (Y&R) mantém suas atividades normalmente com a empresa".
(Com informações de Painel Político, O Antagonista e Meio&Mensagem)
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