O governo Michel Temer silenciou ontem sobre as acusações envolvendo o ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB). Após a reunião ontem Itamaraty, que contou com a presença dos presidentes dos três Poderes e de vários ministros, Temer fez uma breve declaração, respondeu a apenas uma pergunta, mas se calou quando questionado sobre as acusações feitas pela Odebrecht contra Serra.
No momento da pergunta da reportagem, Temer já encerrava a entrevista para a imprensa e virou de costas, subindo as escadas que levam aos gabinetes do Itamaraty.
Antes disso, limitou-se a exaltar a reunião como inédita e dizer que “o clima foi de harmonia absoluta e de responsabilidade. Todos eles, todos nós, voltados para este tema (segurança pública)”. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, que acompanhava a declaração de Temer, também não quis comentar as acusações contra Serra. “Eu cuido da Defesa, não vou responder a isso”, esquivou-se.
O ministro José Serra participou das mais de três horas de reunião sobre segurança pública e também do almoço que aconteceu em seguida. Ele rapidamente apareceu com Temer, sorridente, na porta de saída do Palácio do Itamaraty, quando a presidente do STF, Cármen Lúcia, despedia-se dos demais presentes ao encontro. Ela não participou do almoço.
Desde o meio da reunião já estava estabelecido que Serra não falaria com a imprensa, segundo assessores, para se poupar de desgaste. O chanceler embarcou ainda nesta sexta-feira para Cartagena, na Colômbia, onde tem um encontro da Cúpula Iberoamericana.
Em agosto, quando foi publicou que a Odebrecht relatou o pagamento de R$ 23 milhões via caixa dois, José Serra disse que a campanha de 2010 foi conduzida de acordo com a legislação eleitoral em vigor.
Afirmou ainda que as finanças de sua disputa ao Palácio do Planalto foram todas de responsabilidade do seu partido, o PSDB, e que ninguém foi autorizado a falar em seu nome.
(Com informações de Reuters)
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