A democracia brasileira está sendo ameaçada, alertou ontem, na tribuna do Senado Federal, o senador Jader Barbalho (PMDBPA). Segundo ele, está em curso um processo para derrubar o presidente da República, Michel Temer. “A grande mídia, aliada a determinados setores, quer antecipar 2018. Não querem esperar pelo voto popular, pelo julgamento das urnas. Querem se antecipar, quem sabe enfraquecendo o governo de tal ordem que o presidente renuncie”, alertou o senador. Ainda segundo o senador, há um processo de deturpação das instituições brasileiras para desqualificar o trabalho dos poderes Executivo e Legislativo. “É um esquema organizado para avacalhar o governo e avacalhar o Congresso. “Não querem esperar 2018! Não querem esperar pelo voto popular! Não querem enfrentar as urnas, na qual foram derrotados quatro vezes seguidas”. E completou: “e a grande mídia já escolheu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) como substituto de Michel Temer”.
Por mais de 40 minutos o senador paraense falou sob olhares atentos dos colegas. No plenário, além de senadores, muitos deputados assistiam ao pronunciamento do representante do Pará e permaneceram em silêncio ao longo de toda a fala do senador. Jader Barbalho disse estar cansado de todas as noites, “assistir o noticiário pessimista e escandaloso cobrar do atual governo aquilo que o governo tem tentando resolver”. “Fico a me perguntar: afinal de contas, não era a grande imprensa, a grande mídia, que dizia que o senhor Henrique Meirelles [atual ministro da Fazenda] era a pessoa adequada para encaminhar as medidas econômicas adequadas?”, questionou o senador.
O senador lembrou que os políticos brasileiros são condenados todas as noites nos telejornais. “Não posso admitir que seja tranquilamente admitido que as pessoas sejam condenadas por antecipação”, ressaltou. “O que não se pode aceitar é o vazamento de delações. Não vou discutir a qualidade dos delatores. Não posso admitir, depois de tanto tempo de vida pública, que delações que sequer foram confirmadas pelos delatores - não houve depoimento deles confirmando-, não posso aceitar que delações que não foram juridicamente aceitas possam ser publicadas como verdade definitiva em relação aos homens públicos deste país”, denunciou.
Ele lembrou que não é, e nunca se posicionou contra a Operação Lava Jato e ressaltou que o trabalho que está sob a coordena- ção do juiz paranaense Sérgio Moro nunca foi prejudicado pelo Congresso. “Estamos atrapalhando o quê? Decretação de prisão preventiva sem prazo, que passou a ser condenação antes que as pessoas se defendam? Essas pessoas já estão condenadas à execração pública, elas e suas famílias”, bradou o senador da tribuna.
“Sempre defendi a liberdade de imprensa que também é imprescindível. Mas não defendo a irresponsabilidade de grandes setores da mídia brasileira que não sei o que querem”, atacou. O senador fez um duro discurso questionando as críticas de magistrados e de parte da imprensa ao projeto da Lei do Abuso, de autoria do presidente do Senado, Renan Calheiros. Num silêncio sepulcral, ele criticou juízes de quererem ter mais poder do que tiveram os militares na época da ditadura com o Ato Institucional número 5, conhecido como AI-5.
“Agora se acha que criar uma lei de abuso de autoridade é para acabar com a Lava Jato? Se acusa o Congresso de querer travar a Lava Jato, de querer arranjar um instrumento para barrar as investigações”, prosseguiu. “Onde está travada [a Lava-Jato]? Esse é o momento de reagir. Depois que esse Congresso estiver totalmente avacalhado vamos reagir? Quando ouço dizer que Abuso de Autoridade é para atrapalhar a Lava-Jato, o combate à corrupção. Não sou contra a operação LavaJato. O que fico espantado é que não só Vossa Excelência [o presidente da Casa, Renan Calheiros] mas o Congresso foram acusados de impedir as dez medidas contra a corrupção. Como? Onde essa operação já foi prejudicada ou interrompida?”, questionou o senador paraense.
(Luiza Mello/Diário do Pará)
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