Em documento tornado público ontem, o DOJ (Departamento de Justiça) dos Estados Unidos afirmou que o grupo Odebrecht pagou US$ 599 milhões em propinas para servidores públicos e políticos brasileiros (R$ 1,9 bilhão ao câmbio atual) e mais US$ 439 milhões (R$ 1,4 bilhão) para agentes públicos de outros 11 países. Do total repassado a brasileiros, segundo os americanos, US$ 349 milhões saíram da construtora e US$ 250 milhões da Braskem, o braço petroquímico da Odebrecht.
Segundo o DOJ, os valores estão relacionados a “mais de cem projetos em 12 países, incluindo Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Peru e Venezuela”.
Em troca dessas propinas, a Odebrecht obteve pelo menos R$ 12 bilhões, ao câmbio de hoje, em benefícios com contratos dentro e fora do Brasil. O esquema de repasses, de acordo com as autoridades americanas, funcionou de 2001 a 2016. Documentos foram revelados após a assinatura de acordo entre Odebrecht, Braskem e Justiças americana e suíça.
O acordo faz parte da leniência, espécie de delação premiada da pessoa jurídica, que foi assinada no último dia 1º com membros do MPF do Brasil responsáveis pela Lava Jato. Na negociação, a Odebrecht se comprometeu a pagar R$ 6,9 bilhões em 23 anos. O montante será dividido entre Brasil, que ficará com 80%, EUA e Suíça, que ficarão com 10% cada.
Os documentos revelam que 14 pessoas, entre políticos brasileiros e funcionários de estatais, ganharam dinheiro para ajudar os interesses das empresas Odebrecht e da Braskem. O DOJ descreve cada um dos recebedores de propina, sem citar os nomes, colocando de forma genérica os respectivos cargos.
Na relação dos 14 estão “membros do alto escalão do governo”, dois “ministros”, “membros de estatais brasileiras”, “diretor da Petrobras” e “político do alto escalão do Legislativo”.
R$ 6,9 bi
O acordo faz parte da leniência, espécie de delação premiada da pessoa jurídica, que foi assinada no último dia 1º com membros do MPF do Brasil responsáveis pela Lava Jato. Na negociação, a Odebrecht se comprometeu a pagar R$ 6,9 bilhões em 23 anos. O montante será dividido entre Brasil, que ficará com 80%, EUA e Suíça, que ficarão com 10% cada. DOJ informou que o valor da multa a ser pago pode chegar a US$ 3,5 bilhões, com juros embutidos
no período de 23 anos.
(Folhapress)
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