Na manhã desta quarta-feira (4), o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes disse que o governo de Amazonas sabia que havia um plano de fuga de detentos do sistema carcerário planejada para o fim do ano passado. "O governo estadual disse que tomou todas as providências para evitar fugas. Não está caracterizada nenhuma omissão até o momento", declarou após encontro com a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
O ministro declarou que a informação sobre uma possível fuga no Natal foi obtida pelo serviço de inteligência do governo do Amazonas e que não foi repassada ao governo federal. Moraes, porém, afirmou que não é obrigação dos governos estaduais comunicar esse tipo de informação e que só soube dela no começo da semana, quando foi a Manaus acompanhar a situação.
Moraes disse que uma série de fatores está relacionada com "uma rebelião desse porte, com a barbárie que aconteceu". "Nunca ocorre por um único motivo. Uma série de fatores que acabaram resultando nessa tragédia de começo do ano". Um dos fatores, segundo ele, é a existência de facções criminosas atuando dentro dos presídios.
Ainda de acordo com Moraes, a rebelião pode ter ocorrido para ajudar na fuga dos presos. "Há que se apurar se todas as mortes passaram a ocorrer para que as lideranças pudessem fugir."
O ministro criticou ainda a atuação da empresa Umanizzare, responsável pela administração dos presídios amazonenses desde 2014, mas evitou culpar o governo do Amazonas. "Eu não tenho dúvidas em afirmar que houve falha de quem toma conta da penitenciária. Agora, estender isso a outras autoridades, só se houver prova."
Barbárie
No dia 1º de janeiro, houve uma fuga de 72 presos do Ipat (Instituto Penal Antônio Trindade). Horas mais tarde, no Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim), foi registrada uma rebelião que terminou com 56 mortos e a fuga de outros 112 detentos. Outros quatro foram mortos na UPP (Unidade Prisional do Puraquequara).
(Com informações do portal UOL)
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