Um dos principais alimentos na dieta brasileira – o trigo – vem sendo objeto de estudo de pesquisadores dispostos a aumentar os níveis de zinco e selênio presentes no cultivo. A pesquisa é feita por meio de melhoramento convencional, técnica conhecida como biofortificação. A pesquisa procura com isso prover uma maior segurança nutricional aos mais carentes desses micronutrientes. Parte da população propensa a beneficiar-se desses resultados são os indivíduos com síndrome de Down (principalmente, as crianças em fase de desenvolvimento), que devem manter uma alimentação rica em antioxidantes, como zinco e selênio, em virtude de a alteração genética ocasionar oxidação em excesso nas células cerebrais e do corpo.
Pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso, Milton Ferreira de Moraes explicou que os níveis de selênio do trigo biofortificado não são tão altos quanto os níveis de zinco, mas que isso pode mudar quando aliado à biofortificação agronômica. “Recentemente, o governo aprovou o uso de fertilizantes contendo selênio, o que foi um importante passo para a adição deste nutriente aos solos brasileiros, visto que a grande maioria deles é naturalmente pobre neste elemento”, afirma. A biofortificação agronômica do trigo com selênio tem potencial para elevar a ingestão diária deste micronutriente aproximadamente 25% dos níveis mínimos diários. “Eu acredito que em aproximadamente dois anos nós tenhamos avanços mais significativos”.
PESQUISA
O Brasil apresenta um aspecto diferenciado dos demais países em relação ao desenvolvimento da biofortificação. É o único país onde o trabalho é realizado ao mesmo tempo com oito culturas: abóbora, arroz, batata doce, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho e trigo. Os investimentos são feitos pelo Governo Federal, governos estaduais, instituições de pesquisa e organizações internacionais, sendo a principal o programa de pesquisas HarvestPlus, que conta com a ajuda da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para coordenar o programa de biofortificação brasileiro (Rede BioFORT).
De acordo com os últimos dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 48% das crianças menores de cinco anos têm anemia (deficiência de ferro) e 30% têm deficiência de vitamina A. No Brasil, os números também são altos, com 55% das crianças menores de cinco anos apresentando deficiência de ferro e 13% deficiência em vitamina A.
(Diário do Pará)
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