O ex-Senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS), em delação premiada, afirmou ao juiz Sérgio Moro, na último dia 21, que o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque chegou a lhe confidenciar que Luiz Inácio Lula da Silva sabia do esquema de arrecadação de propinas na estatal, por partidos da base aliada do governo, em especial PT, PMDB e PP. Na tarde desta sexta-feira (05), Duque confirmou a versão.
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Renato Duque prestou depoimento nesta sexta-feira (05), também no âmbito de um acordo de delação premiada. O ex-diretor também afirmou que Lula sabia de todo o esquema ilícito na estatal. Confira:
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Ex-diretor. Duque está preso desde abril de 2015 em Curitiba, acusado de ser o principal indicado do PT no esquema de arrecadação de propinas na Petrobrás. Ele tenta pela terceira vez um acordo de colaboração premiada com procuradores da força-tarefa da Lava Jato, mas sem sucesso até aqui.
Veja o vídeo da delação de Delcídio no mês passado:
O representante da defesa tentou argumentar na delação de Delcídio, que ele estava formando juízo próprio ao afirmar que Lula tinha conhecimento e participação no esquema de corrupção na Petrobrás.
“Era absolutamente sabido. Vários partidos procuravam o presidente Lula quando seus protegidos não correspondiam àquilo que foi combinado”, afirmou Delcídio.
Segundo ele, após o mensalão, as diretorias foram usadas para garantir a governabilidade e a base do governo Lula. “O presidente Lula no mensalão, era a tese do não sabia, ele só escapou por causa de uma cordo político que votou o relatório da CPI do Mensalão.”
Delcídio disse acreditar que na Lava Jato “vai ser muito difícil a desculpa do ‘não sei’, que ela prevaleça”.
O ex-líder do PT no Senado confirmou que existia uma “estrutura montada” no governo Lula para “bancar as estruturas partidárias” e que o ex-presidente “tinha um conhecimento absoluto de todos os interesses que rodeavam a gestão da Petrobrás”.
“O presidente não entrava nos detalhes, mas ele tinha um conhecimento absoluto de todos os interesses que rodeavam a gestão da Petrobrás e as diretorias e os partidos que apoiavam os diretores”, afirmou Delcídio, ao falar sobre o grau de ingerência de Lula no esquema de propinas na Petrobrás.
Delcídio foi a primeira testemunha de acusação no processo contra Lula, dona Marisa Letícia e outros seis réus, no primeiro processo da Lava Jato, em Curitiba, contra o petista. Também são acusados o ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, funcionários da empreiteira e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Foram ouvidos ainda o empresário Augusto Mendonça, do Grupo Setal, e os ex-executivos da Camargo Corrêa Dalton Avancini e Eduardo Leite – todos delatores.
As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio de um triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantidos pela Granero de 2011 a 2016.
O petista é acusado corrupção passiva e lavagem de dinheiro no esquema de cartel e propinas na Petrobrás. A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que ele recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012.
COM A PALAVRA, A DEFESA DO EX-PRESIDENTE LULA
O criminalista Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no processo nega que o petista seja o dono do apartamento do Edifício Solaris. Ele nega qualquer envolvimento do cliente com esquema de corrupção ou lavagem de dinheiro.
“As testemunhas não sabem de nenhum ato ilícito que tenha beneficiado o ex-presidente”, afirmou o advogado, ao final da audiência.
(Com informações de UOL)
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