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Delator cita doação a Alckmin para conseguir "boa vontade"

FELIPE BÄCHTOLD SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O delator do frigorífico JBS Ricardo Saud disse que a empresa fazia doações oficiais a políticos para obter uma "reserva de boa vontade" dos eleitos e citou os pagamentos à campanha do governador tucano Geraldo

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FELIPE BÄCHTOLD SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O delator do frigorífico JBS Ricardo Saud disse que a empresa fazia doações oficiais a políticos para obter uma "reserva de boa vontade" dos eleitos e citou os pagamentos à campanha do governador tucano Geraldo Alckmin (SP) como exemplo. "É para o cara não chatear nem para o cara atrapalhar a gente. Mas na verdade nós nunca pedimos nada para ele [Alckmin]. Demos R$ 3 milhões para o Alckmin a pedido do coordenador de campanha dele. O Alckmin nunca falou comigo", disse, em depoimento de delação premiada. O pedido, segundo Saud, partiu do hoje vereador em São Paulo Edson Aparecido (PSDB), que foi chefe da Casa Civil do governo de São Paulo. Saud também falou de pagamento para outro governador tucano, o paranaense Beto Richa, mas desta vez em dinheiro vivo, na campanha de 2010. Ele afirmou que entregou R$ 1 milhão para Pepe Richa, irmão do governador, em um supermercado. O delator também mencionou diversos pagamentos em espécie a candidatos ao Congresso, em 2014, como Alceu Moreira (PMDB-RS) e Jerônimo Goergen (PP-RS). Os dois negam ter cometido ilegalidades. PSB No mesmo trecho da delação, Saud também falou sobre pagamentos para a campanha de Eduardo Campos (PSB), candidato a presidente em 2014 que morreu durante a campanha. Ele disse que combinou pagamentos de "propina" de R$ 14 milhões à campanha e que, dependendo do desempenho do candidato, o volume poderia aumentar. Com a morte de Campos em um acidente aéreo, Saud disse que a empresa foi procurada por Paulo Câmara, hoje governador de Pernambuco pelo PSB, e por Geraldo Julio (PSB), prefeito de Recife, para financiar a campanha estadual. Diz que chegou "a um meio termo" e pagou propina à campanha de Câmara em dinheiro vivo. Ele citou ainda pagamentos a Beto Albuquerque (PSB), vice na chapa de Marina Silva em 2014, e o senador Fernando Bezerra (PSB-PE). Paulo Câmara divulgou nota negando as declarações e afirmou que nunca recebeu recursos da empresa em troca de favores. Para ele, é "completamente descabido o uso da palavra propina".

Fonte: FolhaPress

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