O Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), que tem como sócio o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, recebeu nos últimos dois anos cerca de R$ 2,1 milhões em patrocínios do grupo J&F, que controla a JBS, empresa envolvida em uma série de escândalos de pagamento de propina para políticos de todo o país.
Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o IDP assinou um contrato com a empresa junho de 2015, recebendo desde então a quantia, destinada a cinco eventos, além do suporte a um grupo de estudos em Direito do Trabalho, concessão de bolsas de estudos e cursos gratuitos para a comunidade. Um dos congressos ocorreu em abril deste ano, em Portugal, cerca de uma semana após sete executivos do frigorífico firmarem acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, e contou com a presença de magistrados, políticos, advogados e ministros do governo de Michel Temer.
O contrato foi rescindido pela IDP, alegando descumprimento de uma cláusula ligada à conduta ética e moral pelo patrocinador. O instituto ainda afirmou que devolveu R$ 650 mil à J&F após a revelação da delação premiada.
Uma reportagem também da Folha de S. Paulo havia mostrado que a família de Gilmar vende gado no Mato Grosso para a JBS, com as negociações encabeçadas pelo irmão do ministro. Gilmar também participou de uma reunião com Joesley Batista, delator e sócio da JBS que gravou o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, além de delatar o pagamento de proprina para diversos políticos, incluindo o governador Simão Jatene. Gilmar afirma que a reunião tratou sobre um julgamento no STF sobre o setor de agronegócio.
Em nota, Gilmar afirmou que não é administrador do IDP e que por isso não pode se manifestar sobre questões envolvendo o instituto.
(Com informações da Folha de S. Paulo)
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