"Esta semana acordei sem vontade de dar aula. Sabemos que temos uma responsabilidade social de manter a universidade funcionando, mas como dar conta dessa maneira, se não sabemos como será o amanhã? Nos sentimos à deriva. Estamos todos, alunos e professores, nos deprimindo e adoecendo."
O desabafo da professora de nutrição da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Elda Tavares, 50, ecoa o que dizem alunos, docentes e funcionários: a crise por que passa a universidade, a maior de sua história, tem provocado um abatimento generalizado.
A angústia tem motivos materiais. Professores recebem seus salários parcelados e com atraso. Na última semana, receberam o referente a abril. Do 13º salário de 2016 não há nem sinal.
São docentes como o engenheiro químico Evandro Brum Pereira, 61, que resolveu protestar contra a falta de pagamento postando uma foto nas redes sociais onde segura um cartaz em que se lê seu impecável currículo e a pergunta: "Alguém pode me arrumar um trabalho? Afinal, preciso pagar minhas contas".
Primeira universidade do Brasil a estabelecer cotas sociais, em 2003, a Uerj tem os bolsistas também recebendo "pingado". O restaurante popular e as bibliotecas estão fechados.
Além disso, com capacidade para 512 leitos, o Hupe (Hospital Universitário Pedro Ernesto) anunciou na semana passada que passará a trabalhar com apenas 100, o que deixará pessoas sem atendimento e compromete o estudo dos residentes da universidade. Agora, paira sobre a universidade a dúvida sobre se haverá ou não greve após o retorno das férias de julho.
(Com informações da Folha de S. Paulo)
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