O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou nesta terça-feira (10) dados do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) que aponta um recorde no número de assassinatos no Brasil de pessoas nessa faixa etária. O estudo foi feito em conjunto com o Observatório de Favelas e a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, do governo federal.
Os dados vão até o ano de 2014 e a amostra teve como parâmetro os 300 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.
Em termos estatísticos, essa comparação leva a crer que se nada for feito nos próximos quatro anos a estimativa é que 43 mil jovens entre 12 e 17 anos serão mortos no país.
A coleta de dados do IHA foi iniciada em 2005 e naquele ano contabilizou 2800 mortes a cada 100 mil habitantes.
BELÉM ENTRE AS CAPITAIS MAIS VIOLENTAS
Belém está em 9º lugar entre as capitais que mais mata adolescentes no país, aponta o estudo. A taxa de letalidade de jovens, em 2014, foi de preocupantes 5,32 a cada 100 mil habitantes.
A prova de que os números continuam crescendo é confirmada nos registros feitos pelo DOL. Nos últimos dias de setembro três adolescentes foram mortos em Belém e municípios da Região Metropolitana.

Fonte: Índice de Homicídios na Adolescência (IHA)
LEIA MAIS:
Ladrão mata menor após amigo reagir a assalto
Adolescente é assassinado por quarteto misterioso no Una
Adolescente implora pela vida, mas é morto com 10 tiros
O Índice de Homicídios na Adolescência é calculado a partir de informações sobre mortes vindas do Ministério da Saúde sobre os municípios.
COR/RAÇA X VIOLÊNCIA
O estudo mostra também que a chance de um adolescente negro ser assassinado no Brasil é três vezes maior do que a de um jovem branco. O fator socioeconômico é uma das explicações apontadas.
Para Fabiana Gorenstein, especialista em proteção à criança da Unicef, essa parcela da juventude é a que possui pior apoio e proteção.
"Há uma concentração de pessoas negras entre a parcela mais vulnerável da população, que acabam desassistidas", disse em entrevista.
Para ela, o racismo é um complicador que contribui. "Também é uma das grandes causas para os homicídios.", afirma.
Por fim, o fomento a políticas de segurança, como treinamento de policiais e controle de armas, e proteção a famílias e amigos dos adolescentes mortos e em risco.
De acordo com José Neto, estes dados já vem sendo acompanhado pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil No Pará (OAB/PA), ao qual preside, e constata a triste realidade.
"Esse estudo vem corroborar com o relatório que a gente está fazendo e foi apresentado agora. Nós fizemos um relatório falando sobre o extermínio da Juventude negra na Região Metropolitana de Belém com um enfoque nas quatro chacinas ocorridas este ano. A gente faz um longo histórico sobre cerca de 90% dos homicídios que têm como alvo essa juventude que não chega aos 30 anos", avaliou o advogado.
(DOL)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar