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Por falta de tornozeleira, Funaro deixa prisão e será monitorado por câmeras

FÁBIO FABRINI BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Justiça Federal em Brasília decidiu nesta terça (19) transferir o corretor Lúcio Funaro, delator de esquemas de corrupção envolvendo a cúpula do PMDB, do regime de prisão fechado para o domiciliar. O colaborador

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FÁBIO FABRINI BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Justiça Federal em Brasília decidiu nesta terça (19) transferir o corretor Lúcio Funaro, delator de esquemas de corrupção envolvendo a cúpula do PMDB, do regime de prisão fechado para o domiciliar. O colaborador passará a viver em sua fazenda em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo, numa espécie de "big brother" penal. Como não havia tornozeleiras eletrônicas para monitorá-lo, será acompanhado por câmeras que ele próprio se comprometeu a instalar nas dependências do imóvel, com link direto para os gabinetes da 10ª Vara Federal no Distrito Federal e de procuradores do MPF (Ministério Público Federal). O corretor prometeu instalar os primeiros equipamentos no imóvel na terça, antes de sua chegada, e a ter todo o sistema funcionando até 2 de janeiro. O aparato inclui tecnologia para manter a gravação dos vídeos por até 30 dias. Para convencer o juiz Vallisney de Souza Oliveira de que o sistema funciona, Funaro fez um teste em tempo real durante audiência nesta terça. Mostrando a tela de um celular para o magistrado, com imagens de sua casa na capital paulista, explicou: "Aqui, ó: minha mulher e filha, agora. Isso é ao vivo". Inicialmente, a proposta do juiz era de mantê-lo em liberdade em Brasília, mas cumprindo algumas medidas cautelares. Mas o corretor fez um apelo, alegando temer proximidade com os políticos que denunciou. Funaro disse que "o último lugar" em que gostaria de estar é Brasília. "Vivo uma batalha contra o governo. Foi por minha causa que foi apreendida a maior quantidade de dinheiro já feita no Brasil", argumentou, em referência à descoberta de R$ 51 milhões num bunker atribuído ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), hoje preso. "Quem sofreu esses efeitos não deve estar contente." Ao ver o sistema funcionar, o juiz consentiu: "Isso é melhor do que tornozeleira". O corretor terá de entregar mensalmente à Justiça mídia com as imagens. Ele pediu a Oliveira que autorizasse 15 pessoas a frequentar a fazenda, incluindo um amigo com quem joga tênis, mas visitantes com vínculo de amizade foram excluídos. Funaro, que já se envolveu em dois grandes esquemas de corrupção e fez delação nas duas ocasiões, afirmou que agora dará exemplo ao país: "Vou reciclar minha vida e mostrar para todo mundo que eu tenho capacidade de gerir negócios lícitos sem nenhum problema". Na falta de escolta policial, Oliveira aceitou que o corretor fosse até o local da prisão domiciliar com o advogado. Ele embarcaria rumo a São Paulo num voo comercial. Disse que não usaria o próprio jatinho para economizar: "Tenho uma multa da PGR (Procuradoria-Geral da República) para pagar". Funaro informou que agora pretende se dedicar a complementar sua colaboração. Também pleiteará deixar o local de residência para frequentar uma faculdade de direito. A Justiça Federal afirmou que a solução das câmeras foi adequada, pois, sem as tornozeleiras, a fiscalização seria mais frouxa. Três presos que deixaram o regime fechado estão hoje sem acompanhamento. A decisão é inédita na vara de Brasília e poderá abrir precedentes. Funaro foi preso em 1º de julho de 2016, na Operação Sépsis, suspeito de desviar recursos da Caixa Econômica Federal. Após a prisão, aceitou colaborar com a PGR e denunciou episódios de pagamento de propina e caixa dois envolvendo o presidente Michel Temer e alguns de seus principais aliados, entre eles o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Geddel. O acordo com os investigadores previa inicialmente o cumprimento de dois anos em regime fechado, que só se encerrariam em julho de 2018, mas o corretor teve remissão de pena por ter trabalhado, estudado e lido livros. Fez ainda cursos, cada um de 180 horas, de eletricista, biossegurança hospitalar, matemática financeira, direito administrativo e inglês básico. A delação prevê mais dois anos de domiciliar, sem direito de sair de casa sem autorização judicial, outros dois de domiciliar semiaberto e mais dois de domiciliar aberto.

Fonte: FolhaPress

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