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AJUDA AOS ROMEIROS

Voluntários levam água, cuidados e fé aos romeiros durante o Círio

Grupos se mobilizam antes das procissões para arrecadar água e oferecer primeiros socorros, curativos, orações e apoio aos devotos durante o percurso.

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Imagem ilustrativa da notícia Voluntários levam água, cuidados e fé aos romeiros durante o Círio camera Descubra como voluntários ajudam romeiros no Círio de Nazaré com água, cuidados e fé. Aumente sua participação nesse ato de solidariedade. | Arquivo pessoal

Enquanto milhares de devotos ocupam as ruas de Belém durante as procissões do Círio de Nazaré para cumprir promessas e demonstrar a fé em Nossa Senhora de Nazaré, grupos de voluntários trabalham para oferecer suporte aos romeiros. A atuação inclui distribuição de água, auxílio em primeiros socorros, curativos, sucos, doces e até orações para quem enfrenta longos percursos, muitas vezes durante a madrugada.

Entre essas equipes está o grupo coordenado pelo coreógrafo Rodrigo Repilla, que atualmente reúne 85 voluntários. A iniciativa começou em 2023, a partir de uma promessa feita por uma amiga de Rodrigo. Naquele primeiro ano, ele ainda fazia parte de outro grupo, mas acompanhou a mobilização dos amigos para arrecadar água e levar os donativos aos romeiros.

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“O grupo começou com uma promessa de uma amiga, Bia Gadelha, em 2023. Eu fazia parte de outro grupo e, em uma semana, ela reuniu os amigos e, mesmo cada um com sua camisa do Círio, ela reuniu os amigos e arrecadaram os pacotes de água e foram para o Círio doar”, relembra.

Em 2024, Rodrigo passou a integrar a equipe e assumiu a logística das arrecadações. Naquele ano, o grupo chegou a 40 voluntários e estabeleceu a meta de arrecadar 500 pacotes de água para a procissão.

“Em 2024, eu entrei no grupo e comecei a fazer a logística de arrecadação dos pacotes de água. O grupo cresceu e foi para 40 voluntários, ajudando, e criamos uma meta de 500 pacotes de água para a procissão do Círio”, conta.

A meta foi alcançada e permitiu que os voluntários ampliassem a atuação para o Círio das Crianças. “Como batemos a meta, também ajudamos comprando balas e pipoca para doar no Círio das Crianças”, afirma Rodrigo.

Em 2025, o número de participantes aumentou para 60 pessoas e a meta passou para 600 pacotes de água. Mais uma vez, o objetivo foi atingido. “Em 2025 continuamos com as doações e o grupo cresceu para 60 pessoas e a meta para 600 pacotes, aonde alcançamos e nossa doação no Círio das Crianças cresceu para água e balas”, relata.

Para 2026, Bia Gadelha precisou deixar a coordenação por causa do trabalho e repassou a liderança para Rodrigo. “Esse ano a Bia, por conta de trabalho, não pôde estar à frente do grupo e o repassou para mim, Rodrigo Repilla, no qual assumi a coordenação e liderança da equipe de apoio”, explica.

A procura por participação aumentou ainda mais neste ano. “Nosso grupo teve uma procura bem grande de voluntários e crescemos para 85 pessoas”, destaca.

Apoio aos romeiros

A atuação do grupo vai além da entrega de água. Os voluntários também oferecem assistência básica aos devotos que enfrentam dificuldades durante o trajeto. “Fazemos doações de copos de água, ajuda com primeiros socorros, curativos e orações para os romeiros na madrugada que estão pagando suas promessas”, explica Rodrigo.

No Círio das Crianças, a equipe também mantém uma ação específica. “Também fazemos doação de água, balas e geladinho no Círio das Crianças”, acrescenta.

A preparação começa meses antes das procissões. “Montamos uma campanha nas redes sociais e todos os membros do grupo pedem a amigos e familiares pelas doações, sejam em Pix ou pacotes”, explica. “Montamos pontos de arrecadações para quem leva os pacotes diretamente”, completa.

Grupos movidos por promessas

A história de Rodrigo não é a única em que a fé e as promessas estão na origem do trabalho voluntário. Helena Araújo participa de um grupo formado em 2023, depois de uma experiência vivida durante a retomada das procissões após a pandemia.

“O grupo surgiu em 2023, com a vontade de ajudar os romeiros que fazem a caminhada em direção à Basílica logo depois de termos passado por essa experiência em 2022 e ver o quanto essa ajuda é fundamental”, contou.

Atualmente, a equipe reúne 17 pessoas, além de receber doações de pessoas de fora do grupo. Uma das principais ações ocorre na sexta-feira à noite, em frente à Localiza, na BR, onde os voluntários ajudam os romeiros que caminham em direção à Basílica.

“Fazemos a doação em frente a localiza da BR na sexta à noite, ajudando os romeiros que caminham em direção à Basílica. Além disso, somos um grupo que vai juntos na corda da Trasladação no sábado”, explicou Helena.

A arrecadação começa com os próprios integrantes e depois é ampliada por meio das redes sociais. “A primeira parte da doação vem dos próprios integrantes do grupo. E depois fazemos a divulgação para arrecadarmos doações por meio das redes sociais.”

Para Helena, uma das edições mais marcantes foi a de 2022, quando as romarias voltaram a ser realizadas após dois anos de interrupção. “2022 foi um ano que marcou muito pela retomada das romarias pós-pandemia, onde ficamos 2 anos sem as procissões.”

Outra história de quase duas décadas de voluntariado é a de Adriana Pereira. A ação começou com o marido dela depois de um episódio traumático: ele sofreu um sequestro e passou algumas horas mantido como refém. Durante o período, rezou e pediu ajuda a Deus e Nossa Senhora.

“Após algumas horas ele foi liberado pelos assaltantes, em uma rua desconhecida por ele, durante a madrugada, mas no final acabou tudo bem e ele inclusive recuperou o carro que havia sido levado pelos mesmos assaltantes”, contou Adriana.

Depois do episódio, ele iniciou uma promessa de ajudar os romeiros durante o Círio. “Isso já tem quase 20 anos”, afirma. O grupo começou pequeno e cresceu com a chegada de pessoas que também carregavam suas próprias histórias de fé.

“A ação começou com um pequeno grupo. Com o passar dos anos, outras pessoas foram chegando, cada uma trazendo também suas promessas, agradecimentos e propósitos pessoais.”

Atualmente, cerca de 30 pessoas participam das atividades, desde a campanha de arrecadação até a logística e a distribuição no domingo do Círio.

A principal ação da equipe é a distribuição gratuita de água aos promesseiros da corda. Para Adriana, o trabalho representa mais do que oferecer hidratação. “Mais do que entregar um copo de água, buscamos acolher e cuidar de quem está fazendo sua promessa na corda.”

Há alguns anos, o grupo também passou a distribuir sucos. A mudança ocorreu depois de perceber uma necessidade entre os romeiros. “Há uns anos atrás, começamos também a distribuir sucos aos promesseiros da corda, depois de ouvir a necessidade, inclusive da Cruz Vermelha, que alguns precisavam de açúcar.”

A mobilização começa cerca de cinco meses antes do Círio, com familiares, amigos e apoiadores ajudando na arrecadação de água e dinheiro para a compra dos materiais.

“Cada pessoa ajuda como pode. É muito bonito perceber que a ação começa antes mesmo do Círio, porque toda essa mobilização já é uma grande demonstração de solidariedade e união.”

Fé que acompanha a caminhada

As histórias pessoais também fazem parte das memórias que Adriana guarda das quase duas décadas de trabalho. Ela cita dois momentos marcantes. O primeiro ocorreu em 2017, após o nascimento do filho, que nasceu com uma deformidade no pé e conseguiu acesso ao tratamento adequado.

“Em 2017 após o nascimento do meu filho, que nasceu com uma deformidade no pé e eu pude estar presente para agradecer por conseguir o tratamento adequado pra ele.”

O segundo aconteceu após a morte da mãe de seu marido, há cinco anos. Mesmo diante do luto, a família decidiu manter a tradição de ajudar os romeiros. “Não deixamos de manter nosso propósito e, de agradecer à Nossa Senhora de Nazaré, por tantas graças alcançadas.”

Entre os relatos de Rodrigo, também há uma lembrança que representa a dimensão de fé presente nas ações dos voluntários. Durante a madrugada do Círio de 2025, dois jovens que passavam pelo ponto de apoio da equipe decidiram fazer o restante do percurso de joelhos.

“Em 2025 aconteceu um episódio bem marcante durante a madrugada, na qual ficamos servindo e ajudando os romeiros que estão pagando suas promessas de joelhos”, conta.

“Dois jovens que estavam passando pelo nosso grupo, só caminhando naquele momento, se sentiram tocados por Maria e foram o restante do trajeto todo de joelhos”, relata.

Os voluntários acompanharam os jovens até o final. “Como estavam só alguns integrantes do grupo, foram ajudando eles até o final, com papelões e oração para que continuassem”, afirma Rodrigo.

“Esse momento foi bem forte e cheio de fé”, resume.

As experiências de Rodrigo, Helena e Adriana mostram diferentes caminhos que levam pessoas a dedicar tempo, recursos e esforço para ajudar os romeiros. Em comum, estão as promessas, as histórias de fé e a disposição de transformar a devoção em cuidado. Nas ruas de Belém, enquanto os promesseiros seguem em direção à Basílica, os voluntários também cumprem sua própria missão: acolher, ajudar e caminhar ao lado de quem vive o Círio como uma demonstração de fé.

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