Pode-se dizer que a berlinda é o único carro da história que funciona a base de combustível humano. E tem tudo a ver com o que acontece hoje. Utilizada pela primeira vez em 1855, a berlinda que conduz a imagem de Nossa Senhora de Nazaré é o foco das atenções de mais de dois milhões de pessoas que se encontram presentes à maior demonstração de fé do povo da Amazônia. Ela só foi introduzida ao Círio 62 anos depois da primeira procissão.
A berlinda é alvo de curiosidade durante os dias que antecedem a grande procissão. Todos querem saber sobre a ornamentação, quais as espécies de flores que serão utilizadas e as cores escolhidas para o símbolo do Círio que carrega a imagem peregrina da Santa.
Quando começou a fazer parte do Círio, a berlinda substituiu uma espécie de carruagem puxada por cavalos ou bois, chamada de palanquim. Neste mesmo ano, com a necessidade de a berlinda ser puxada pelos fiéis para vencer um atoleiro, os animais foram substituídos pela corda.
Mesmo com a introdução da berlinda, foi mantido o costume da imagem ser carregada no colo de autoridades da Igreja. Mas, em 1880, o Bispo Dom Macedo Costa mandou fazer uma berlinda que levasse a imagem sozinha. Em 1926, a berlinda foi transformada em andor. Durante cinco anos, ela saiu em hastes nos ombros dos devotos e em 1931 ela passou a ter rodas.
De lá até os dias atuais, já houve cinco berlindas utilizadas durante a procissão. A mais recente é de 1964 e foi feita pelo escultor João Pinto.
OURO
A berlinda foi toda restaurada para receber a Virgem, com a cobertura de 2.500 folheados de ouro, utilizado tanto na parte de fora quanto no interior da berlinda. Os detalhes também receberam o adorno dourado. Os quatro anjos que contornam a berlinda foram banhados pela cobertura reluzente. Este ano, a restauração da berlinda ficou a encargo de três integrantes da mesma família: os irmãos Adilermo Silva e Adilson Silva e o sobrinho Marcos Breno. Todos participaram como voluntários. (Diário do Pará)
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