Neste segundo domingo de outubro, uma imagem de tamanho pequeno parece se tornar gigante diante de tamanha demonstração de fé dos que a seguem. A imagem de Nossa Senhora de Nazaré que segue na berlinda é uma réplica da imagem original que fica durante o ano todo em uma redoma de cristal denominada de “Glória”.
Conhecida como Imagem Peregrina, foi dada de presente para Belém pelo escultor italiano Giacomo Mussner, que a fez em traços amazônicos, e sai em todas as procissões e programações alusivas ao Círio: na trasladação, no Círio em si, Recírio, além das peregrinações nos órgãos públicos, por exemplo. Durante o ano, quando não está nas programações locais, a imagem fica na sacristia da Basílica Santuário.
Há quem acredite que a Imagem Peregrina fique no Colégio Gentil, visto que ela é deixada lá no encerramento na Quadra Nazarena, durante o Recírio. Mas isso é um engano. Após o encerramento de toda a programação, passada mais a euforia pelo Círio de Nazaré, a imagem feita pelo escultor italiano é conduzida para a sacristia da Basílica Santuário.
ORIGINAL
Chamada de imagem “autêntica” ou “imagem do achado”, a escultura de madeira encontrada pelo caboclo Plácido, no ano de 1700, tem 28 centímetros de altura, cabelos caídos sobre o ombro direito e carrega ao colo o Menino Jesus despido com um globo nas mãos. Aos pés da Virgem, há a cabeça alada de um anjo, que é o símbolo iconográfico da glória celestial.
Na Basílica Santuário, a imagem autêntica fica em redoma de cristal no altar-mor, o Glória, entre anjos, nuvens e um belo esplendor de raios. De lá, ela só é retirada uma vez ao ano, numa cerimônia conhecida como a “Descida da Imagem” ou “Descida do Glória”, que ocorre na véspera do Círio. Após a descida, durante toda a quinzena da festa, a imagem fica num nicho instalado no presbitério, mais perto dos devotos.
Desde que foi encontrada, a imagem autêntica já foi restaurada três vezes. Ela é coberta por um manto canônico, trabalhado com fios e enfeites de ouro. Se a descida da imagem original do Altar-mor é rara, a saída dela é mais rara ainda. A imagem original só deixou o interior da Basílica, até hoje, em situações especialíssimas, como na procissão do Círio 200 e durante a visita do Papa João Paulo II à Belém, que abençoou, no dia 9 de julho de 1980, com a imagem nas mãos, o povo paraense. (Diário do Pará)
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