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CÍRIO DE NAZARÉ

Nossa Senhora de muitos nomes e uma só devoção

Pode soar estranho afirmar, mas Nossa Senhora de Nazaré não é a padroeira de Belém. Fundada no dia 16 de janeiro, a capital paraense ganhou o seu nome em homenagem à santa deste dia, a Nossa Senhora de Belém, também conhecida como Nossa Senhora das Graças

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Pode soar estranho afirmar, mas Nossa Senhora de Nazaré não é a padroeira de Belém. Fundada no dia 16 de janeiro, a capital paraense ganhou o seu nome em homenagem à santa deste dia, a Nossa Senhora de Belém, também conhecida como Nossa Senhora das Graças. “Assim como ocorreu aqui, as cidades escolhem seus padroeiros, que podem também ser santos, de acordo com sua data de fundação. Até mesmo nos bairros isso ocorre. Quando uma nova localidade se estabelece procura-se no calendário de santos, qual é o representante daquela data”, frisa o cientista da religião Bruno Costa.

Ao todo existem cerca de mil santos no calendário católico. No Brasil, os personagens que ganharam mais visibilidade têm uma relação peculiar com a representação do povo. É o caso de Santo Expedito e São Judas Tadeu, por exemplo, considerados padroeiros das causas urgentes e dos pobres, respectivamente. “É um reflexo social porque é a população que torna um santo mais popular. A Virgem de Nazaré ganha muitos devotos pela dimensão de sua principal festa, o Círio”, diz Bruno.

E, apesar das muitas denominações, todas as santas femininas remetem à mesma mulher: Maria, mãe de Jesus. O que as diferencia é o local onde a imagem foi encontrada e pequenos detalhes como roupa, incorporados depois pelos fiéis da região. “Nossa Senhora de Aparecida, a padroeira do Brasil, ganhou esse nome porque foi encontrada na cidade de Aparecida. Se, hipoteticamente, em Tailândia houvesse a aparição de uma imagem e um milagre dela fosse comprovado, teríamos em algum momento Nossa Senhora de Tailândia. Como diz Roberto Carlos numa música, ‘todas as Nossas Senhoras são a mesma mãe de Deus”, exemplifica o cientista.

ESCOLHA

Entretanto, na hora de escolher o santo de devoção individual, o que prevalece é a necessidade de cada um. Algumas profissões se apegam a um padroeiro já considerado milagroso, outros fazem pedido de acordo com a trajetória dos religiosos.

Foi o que aconteceu com a vendedora Tiane Gomes. Num momento de doença familiar ela se apegou a Nossa Senhora das Dores. “Em uma semana vi a imagem dela três vezes em três locais diferentes. Numa loja, na casa de uma cliente e no consultório do próprio médico da minha mãe. Encarei como um sinal e pedi a intervenção dela para curar a minha dor. Fui atendida e me tornei devota”,.

Diferente de Tiane, a devoção de Santana Sarraff surgiu espontaneamente. Há seis meses ela começou a trabalhar na administração da Paróquia de São Benedito, no bairro do Telégrafo, mas desde o primeiro dia no local ela já se impressionara com a mobilização da comunidade. “Nunca tinha visto uma novena tão cheia no horário de meio-dia. E todo o dia 20 agora é assim. A população comparece em grande número para louvar ao santo”.

Depois de ter sido tomada pela comoção popular, ela se encantou também com a história de São Sebastião. Além disso, ela passou a admirá-lo ainda mais quando conheceu sua história. “Antes só sabia que ele fazia parte do exército romano. Mas quando li que toda a sua trajetória de fidelidade ao cristianismo, seu sofrimento e sua abdicação da vida em nome da fé, me tornei mais uma admiradora”.

Na passagem pela frente da igreja, Raimundo entra e realiza o mesmo ritual de anos. Faz uma breve oração, pedindo proteção e agradecendo as conquistas à imagem de Cristo. Depois se estica com cuidado, ficando na ponta dos pés para tocar as mãos da imagem. “É como se me desse mais força sentir a presença dele. É também mais emocionante”, explica. Depois ele vai até o recipiente com água benta, molha a ponta dos dedos e se benze. Com a cabeça baixa em sinal de respeito ele se despede e deixa o local.

No próprio sobrenome, Santos, ele carrega a diversidade de sua devoção. “Eu me considero devoto de todos os santos, frequento todas as igrejas. Nunca escolhi um em especial, mas ao mesmo tempo estou sempre rezando para algum deles. Depende do momento”, explica o vendedor ambulante, natural de Abaetetuba.
(Diário do Pará)

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