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CÍRIO DE NAZARÉ

Fé e força para acompanhar a padroeira

Acompanhar a principal procissão do Círio de Belém não significa estar disponível apenas no dia do evento. Para muitas pessoas, há toda uma preparação cuidadosa que começa meses antes. Afinal, no próximo dia 9 de outubro, corpo e mente trabalharão em prol

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Acompanhar a principal procissão do Círio de Belém não significa estar disponível apenas no dia do evento. Para muitas pessoas, há toda uma preparação cuidadosa que começa meses antes. Afinal, no próximo dia 9 de outubro, corpo e mente trabalharão em prol de um só foco: Nossa Senhora de Nazaré.

Incluído neste grupo está o advogado Wilson Albuquerque Neto, de 25 anos. Praticante assíduo de atividades físicas desde adolescente, ele mudou o treinamento para garantir o bom desempenho durante as romarias do Círio. “Fiz uma cirurgia no joelho no início do ano e para evitar possíveis lesões intensifiquei o trabalho muscular, principalmente nos membros inferiores”, comenta. Mesmo já tendo acompanhado a procissão como romeiro, voluntário da Cruz Vermelha e distribuindo água aos promesseiros, ele frisa que cada ano é diferente e a preparação não deve ser deixada de lado. “Não importa se você já vai há 10, 20 anos. Sempre tem algo novo que pode acontecer”, diz.

Por isso desde agosto, ele vai à academia de segunda a sexta-feira e mantém um programa elaborado por uma personal trainner. Um verdadeiro malabarismo para conciliar o trabalho, a atividade física e as reuniões da Guarda de Nazaré, da qual também faz parte. “É um final de semana que temos hora para entrar, mas não pra sair, então cabeça e corpo têm que estar na sua melhor forma”, enfatiza.

ESPIRITUAL

Todos os anos, ainda no primeiro semestre, a rotina de Jorge Santos, guarda da Santa, começa a mudar. Primeiro vêm os cursos preparatórios para novos integrantes do grupo, depois as reuniões quinzenais, a participação em outras procissões na capital e interior do Estado e, por fim, os ajustes para garantir a completa organização dos eventos da Festa de Nazaré.

Há 10 anos na guarda, ele integrou este ano a diretoria e começou a cuidar também do comportamento de seus colegas, repassando instruções e tarefas. “Brinco que se precisássemos apenas de homens musculosos colocaríamos estivadores. O que vale mais do que força é a resistência”, explica. A prova é que portadores de necessidades especiais também fazem parte da Guarda e mesmo quem não tem mais condições físicas de acompanhar todo o percurso, como membros idosos, ficam lotados na Praça Santuário.

Por isso o investimento na preparação espiritual é frisado como o mais importante. “A fé é essencial para esse momento porque ela age como estimulante para realizar a nossa função. O principal é o que nos levamos no coração”, diz.

A GUARDA

A Guarda de Nossa Senhora de Nazaré, ou Guarda da Santa, como é mais conhecida, foi criada em 1974 e é formada por católicos do sexo masculino, com mais de 18 anos. O efetivo atual é de mais de 1.200 voluntários, que têm a missão de cuidar da Berlinda de Nossa Senhora de Nazaré e ajudar na organização das procissões, sempre em harmonia com a Diretoria da Festa. (http://www.ciriodenazare.com.br)

Braço forte do país a serviço da Santa

Já pra quem faz a segurança, a preparação inclui procedimentos diferentes: além da boa condição física é preciso ter concentração e seguir todas as orientações repassadas pelos superiores. Responsáveis por cordões de isolamento durante a procissão, os membros do Exército são elementos essenciais durante o evento. “Ano passado foram 1.800 homens nas atividades da festa. Todo o efetivo é deslocado para a missão. Só fica no quartel quem está de serviço”, explica o major Rodrigues, que há 11 anos ininterruptos participa do evento.

Dentre os momentos mais marcantes, ele cita o Círio de 2004, quando a berlinda só chegou às 16h. “Foi um dos anos mais desgastantes fisicamente, porque não podíamos sair do lugar e muitos haviam chegado ainda de madrugada para assumir seus postos”, conta. Quando tudo ocorre como previsto, contudo, o desgaste físico não é uma grande preocupação. “Já fazemos esse treinamento durante todo o ano. De segunda a quinta-feira são duas horas de corrida ou circuito. Ainda assim sabemos que é humanamente impossível segurar todos, mas tentamos ao máximo dar segurança”, explica.

Esforço que vale a pena assim que a berlinda atinge o destino final, garante o subtenente Mendes. “Sentimos muito orgulho em participar do Círio. Vemos esse sentimento principalmente nos soldados novos que passarão apenas um ano aqui e sabem que é uma experiência que pode jamais se repetir. Ver a Santa de perto é um privilégio”, diz.
(Diário do Pará)

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