Já virou uma pequena tradição. Desde 2007, quatro amigos marcam encontro no Centro Arquitetônico de Nazaré (CAN) no dia da Trasladação, um dos momentos mais importantes da programação do Círio de Nazaré. Ficam próximos à corda reservando lugar no disputado espaço. Entre eles o estudante de Direito Júlio Pacheco Farias, 24 anos. O encontro tem uma justificativa. Todos vão pagar promessas feitas à Virgem de Nazaré.
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Não foram pedidos complexos, como a cura de um câncer ou a salvação de uma tragédia. O que Júlio e os amigos queriam era uma ‘forcinha’ da santa para serem aprovados no Vestibular. Deu certo. Júlio Pacheco vem de uma família fervorosamente católica e de uma profunda insatisfação com o curso anteriormente escolhido, Educação Física. Para completar o quadro, uma tentativa frustrada na primeira vez que prestou vestibular para o curso realmente desejado, Direito , na Universidade Federal do Pará.
Foram ingredientes suficientes para que ele se apegasse à Nossa Senhora de Nazaré. “Cresci numa família católica, muito religiosa”, diz ele. A origem de toda essa fé familiar vinha da avó, a matriarca da casa humilde no Guamá. “Minha avó morreu meses antes do Círio e do vestibular. Foi aí que me apeguei mais ainda à minha fé. Tenho certeza de que Nossa Senhora intercedeu por mim”, diz.
Não foi uma decisão fácil. Júlio cursava o quarto ano de Educação Física na Universidade do Estado do Pará. Ou seja, o último ano, já prestes a se formar. “Eu não estava feliz com meu curso, não era o que eu queria”. A família, de poucos recursos, entrou em desespero, segundo ele.
A promessa de ir segurando a corda do Círio deu força à Pacheco. Antes ele acompanhava o Círio normalmente. “Nunca havia ido na corda”. Agora isso se tornou um hábito. Júlio vai na Trasladação à noite, com os promesseiros da corda. No dia seguinte, acompanha a procissão normalmente. Atualmente Júlio Pacheco cursa o quarto ano de Direito na UFPA e estagia no Ministério Público Federal. Está feliz. E credita grande parte dessa felicidade à Nossa Senhora de Nazaré.
A psicóloga Renata Andrade diz que esse tipo de comportamento é normal. “As pessoas que possuem algum tipo de fé ganham mais confiança em si próprias quando fazem promessas querendo alcançar alguma graça. Elas se esforçam, buscam fazer o que se propuseram, mas acreditam que possuem uma proteção a mais. Essa fé acaba ajudando na hora do desafio, como a prova do vestibular’, diz ela.
É no que acredita Matheus Benassuly, 21 anos, também estudante de Direito da UFPA. “Faz por ti que eu te ajudarei. É isso que diz a Bíblia”, lembra ele. Benassuly prestou vestibular ano passado. Apesar de a família ser católica, principalmente por conta da influência da avó, Matheus só tinha acompanhado o Círio pela televisão. “Isso mudou quando acompanhei uma amiga da família que estava passando por um tratamento de câncer. Foi quando vi de perto a fé das pessoas. Antes, eu só via pela TV. Foi assim desde que eu era garoto”.
Matheus fez a promessa. Passou. Decidiu encarar a corda. “Minha mãe ficou preocupada, mas no final viu que era uma coisa boa”. A família de Matheus acha que o sacrifício não é tão importante para a demonstração de fé. O estudante discorda. “Jesus fez sacrifícios maiores do que esse”, compara. Matheus não é muito de ir a missas, mas sempre vai a novenas.
A experiência agradou ao estudante. Depois de ter passado um ano inteiro de ‘privações’, estudando, pretende ir de novo segurando a corda. “Gostei da experiência. É uma energia que não te cansa em nenhum momento. Quero repetir esse ano”. (Diário do Pará)
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