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CÍRIO DE NAZARÉ

Clima de festa toma conta da cidade

Às 16 horas de ontem, no trânsito da avenida Almirante Barroso, um olhar pela janela do carro já mostrava quase instantaneamente que não era uma sexta-feira qualquer de outubro. Através do vidro se via um pequeno grupo de pessoas molhadas da chuva e do su

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Às 16 horas de ontem, no trânsito da avenida Almirante Barroso, um olhar pela janela do carro já mostrava quase instantaneamente que não era uma sexta-feira qualquer de outubro. Através do vidro se via um pequeno grupo de pessoas molhadas da chuva e do suor, e com andar que demostrava cansaço. Eram peregrinos chegando a Belém. Pés calçados de meias por cima e chinelos de dedo. No peito, estampada na camisa, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

Gente apressada e buzinas soando, muitas imagens e balões decorando fachadas, a cidade parecia tomada por uma aura de festa. No meio da movimentação e procurando já quase de última hora os ingredientes do almoço tradicional do domingo, a administradora Márcia Lima, 45 anos, conta que, apesar das calorias e dos preços, tenta manter o costume paraense de servir à família comidas típicas no almoço do Círio.

“É um momento importante para a família, então procuro fazer tudo conforme o tradicional”, diz Márcia, que levava no carrinho o jambu e o tucupi para compor com o pato. Mas, apesar da grande movimentação, nas ruas de Belém o fluxo não parecia muito maior durante a tarde de ontem do que foi nos outros dias desta semana.

Segundo Carlos Travassos, mecânico, os preparativos da festa de domingo já haviam sido comprados na semana anterior. “Quisemos deixar tudo pronto, para não ter problema na última hora”, diz Carlos. Já Igor Viana, gerente de um alberque na avenida Governador José Malcher, diz que a procura por hospedagem para o período do Círio está dentro do fluxo considerado normal, mesmo com a previsão de hotéis lotados. “Estamos esperando que a partir de hoje o nosso fluxo aumente, já tem muita gente com reserva confirmada”, explica Igor.

Hospedadas no albergue, Alba Rosseto e Ana Maria Freitas dividem o mesmo quarto, mas vêm de lugares diferentes do Brasil. Alba é paulista, mas veio de Natal, no Rio Grande do Norte, e diz que, aos 70 anos, depois de já ter se aposentado, foi morar no litoral, mas tem carinho especial por Belém. “Vim em muitos Círios na década de 50. Já há 11 anos eu passei a vir rigorosamente ao Círio, pois sou devota de Nossa Senhora de Nazaré e acompanho a procissão”, conta Alba.

Já Ana Maria diz que sua ligação com a cidade começou em maio passado, quando veio a trabalho e pôde acompanhar o Tríduo de Nossa Senhora. “Achei fantástica a devoção das pessoas. A fé aqui é diferente dos outros lugares” revela a professora que veio de Florianópolis, Estado de Santa Catarina. (Diário do Pará)

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