Cibele Fernandes, de 62 anos, é só uma dos milhares de romeiros que acompanham a procissão da Trasladação na noite deste sábado. Porém, sua história de fé e devoção é surpreendente. Mineira, sem filhos e sem familiares em Belém, ela chegou há 42 anos no Pará e sempre acompanhava o Círio. Há quatro anos perdeu a visão após apresentar os sintomas de uma doença degenerativa nos olhos- a ceratocone.
Na descoberta da doença, dona Cibele conta que ficou muito revoltada e deprimida com a situação, mas buscava forças para vencer as dificuldades. Nesta noite, por apresentar um carinho muito grande por Nossa Senhora de Nazaré ela decidiu acompanhar a Trasladação, descalça, com apenas uma bengala para apoiá-la. "Eu não posso ver, mas sinto a energia, a fé do povo no trajeto. Vejo com os olhos da minha alma", afirmou.
"Nunca pedi para voltar a enxergar. Fico extremamente agradecida à Nossa Senhora de Nazaré porque ela aguçou em mim outros sentidos. Hoje tenho uma percepção especial."
Dona Cibele, que mora no bairro de Batista Campos, pretende voltar para casa de taxi após a romaria.
Doença
A ceratocone é uma doença degenerativa do olho na qual as mudanças estruturais na córnea a tornam mais fina. À medida que a córnea vai se tornando afinada o paciente percebe uma baixa da acuidade visual, a qual pode ser moderada ou severa, dependendo da quantidade do tecido corneano afetado.
Muitas pessoas não percebem que tem ceratocone porque este inicia-se insidiosamente como uma miopização e astigmatismo no olho. Esta patologia ocular pode evoluir rapidamente ou em outros casos levar anos para se desenvolver. Esta doença pode afetar severamente nossa forma de perceber o mundo, incluindo tarefas simples como dirigir, assistir TV ou ler um livro.
(Diana Verbicaro/ DOL)

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Comentar