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CÍRIO DE NAZARÉ

A devoção começa bem antes do Círio

As peregrinações mais frequentes da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, inclusive extramuros do Estado, podem ser uma novidade como estratégia de difusão do Círio, mas não é excepcional dentro de um contexto histórico da religiosidade popular. Além disso,

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As peregrinações mais frequentes da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, inclusive extramuros do Estado, podem ser uma novidade como estratégia de difusão do Círio, mas não é excepcional dentro de um contexto histórico da religiosidade popular. Além disso, pode ser considerada uma resposta à queda do número de católicos também em Belém. As festividades nazarenas, espalhadas pelo Pará, e agora pelo Brasil, mesmo modernizadas, não fogem à tradição das folias dos santos padroeiros “esmolando” nos povoados e fazendas, desde os tempos da Colônia. Comuns ainda hoje, modernizaram-se. A festa da Marujada encarrega-se de preservar essa tradição em Bragança. Em Vigia, a esmolação foi abolida há muito tempo; já nos anos da década 1960, era feita com carro de som, porém sem a imagem da Santa. Se em Belém a Festa se financia com o patrocínio de grandes marcas e recursos do governo, na Vigia fazem sorteio de carro zero - não é barato promover a Festa.

Embora preservem práticas tradicionais da religiosidade popular, as romarias servem agora mais para adensar a fé do que a caridade que mexe com o bolso das pessoas. O antropólogo Heraldo Maués, professor emérito da Universidade Federal do Pará, citando Mariana Ximenes, também antropóloga, classifica as romarias de “folias domesticadas”, afinal a Igreja está presente e apropria-se das manifestações populares, “acolhendo-as, ordenando, corrigindo, aperfeiçoando” - diz o padre José Ramos, presidente da Diretoria da Festa de Nazaré e vigário da Paróquia. Para o sacerdote, não tem sido diferente com o Círio. “A Igreja proporciona apoio e, à medida do possível, oferece presença e material para as celebrações. Todas essas iniciativas concorrem para louvar a jovem nazarena escolhida por Deus para dar ao mundo o Salvador” - acrescenta.

Iniciadas em Belém pelo então vigário de Nazaré, padre Giovani Incampo, em 1972, as peregrinações saíram dos limites da Basílica para atingir a Região Metropolitana como excelente instrumento de evangelização, reciclando e ampliando a religiosidade estimulada pelo Círio. Neste ano, cinco mil imagens de Nossa Senhora de Nazaré peregrinaram, durante o mês de setembro, no âmbito da capital. A experiência já é comum em vários municípios do interior, também. O próprio sacerdote italiano encarregou-se de levar para Vigia, onde foi vigário na década dos anos 1980, as pequenas romarias, novenas e reflexões sobre o Evangelho - catequese consolidada também em Castanhal, Capanema, Bragança, São Miguel do Guamá.

Embora as romarias, ladainhas, leitura das Escrituras, testemunhos de devotos e a Oração do Terço não tenham sido planejados para esse fim, os eventos do limiar do Círio respondem às recomendações da Igreja Latino-americana: a religiosidade popular (marcada pela dispensa de rituais formais da Igreja e até a presença do sacerdote) deve ser valorizada como instrumento para incrementar a fé manifestada em celebrações como o Círio. Recomendações nesse sentido estão nos documentos de Puebla e de Aparecida. Leia mais no site do Diário do Pará...

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