Foi por muito pouco. Mas a corda do Círio não sobreviveu até a chegada ao colégio Santa Catarina, no bairro de Nazaré, em Belém. Os promesseiros cortaram a corda próximo ao colégio Nazaré, alguns metros antes do ponto estipulado pela organização da procissão.
Às 11h, os romeiros que seguiam no núcleo da cabeça da corda deram início ao corte. Houve troca de insultos e empurrões entre membros da Guarda da Santa, grupo de voluntários que escoltam a berlinda, e promesseiros. “Querem impedir uma tradição. As pessoas querem um pedaço da corda, é nosso direito depois de sofrer tanto”, argumentava a romeira Waldilena Assunção. Ela conta que desde as 5 horas acompanhava o Círio pela corda.
Diversas pessoas empunhavam facas e estiletes no local. Grupos de promesseiros continuaram a caminhada carregando pedaços da corda até a equipe de 20 padres que ofereciam bençãos em frente ao colégio Santa Catarina. Em pouco menos de meia hora, os promesseiros da corda se dispersaram em direção à Basílica de Nossa Senhora de Nazaré.
Este ano, a Diretoria da Festa de Nazaré e Arquidiocese de Belém lançaram uma campanha contra o corte da corda. A expectativa era de que o corte e distribuição do objeto fossem executados pela própria Diretoria da Festa. O objetivo era impedir que os romeiros carregassem armas brancas durante a procissão, além de garantir que a berlinda permanecesse atrelada até o final do percusso.
Considerada um êxito pela organização, a campanha de conscientização teve o mérito de manter a integridade da corda em alguns pontos críticos, como a curva da avenida Presidente Vargas em direção à avenida Nazaré. Mas também causou sucessivas paradas e esperas, o que prolongou o sofrimento dos promesseiros. “O começo da Nazaré é a pior parte, porque quando chega aqui, a galera já está cansada, machucada. Tivemos que esperar muito tempo sem andar até completar a curva. Não aguentei e fui cuspido para fora da corda”, relata o estudante Rodrigo Barbalho, 23 anos.
Diretoria do Círio nega corte antecipado
O coordenador do Círio, César Neves, negou que a corda dos promesseiros tivesse sido cortada antes do trecho programado, que era em frente ao colégio Santa Catarina, na avenida Nazaré. O desatrelamento da corda da berlinda, segundo César Neves, foi autorizado pela diretoria e pelo arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, e o fato de o corte ter sido realizado alguns metros antes do previsto foi apenas uma questão de praticidade.
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