A aglomeração de pessoas na Basílica e Praça Santuário um dia após a procissão do Círio de Nazaré 2011 obviamente era bem menor que a observada no momento da chegada da berlinda no último domingo, porém, a motivação era a mesma: estar próximo das imagens (original e peregrina, respectivamente) da padroeira dos paraenses.
Na calçada que cerca a Praça Santuário, o turismólogo Roberto Lisboa repetia a imagem vista por muitas vezes durante o Círio. De joelhos e com uma rosa nas mãos, pagava a promessa feita há um ano. Da entrada da praça até o altar da Basílica, ele seguia em silêncio. Concentrado, parava alguns minutos para recuperar o fôlego e amenizar um pouco a dor. Sobre a graça alcançada, segredo conhecido apenas pela Virgem de Nazaré.
O cenário visto por Roberto assim que chegou à porta da Basílica foi o de casa cheia. Em todos os cantos da igreja estavam fiéis à espera de um espaço para estar mais próximos da imagem original de Nossa Senhora, que estava exposta no altar dentro de uma redoma de vidro.
MAIS PERTO
Após a missa das 8h30, uma das seis realizadas diariamente durante a quinzena nazarena, as pessoas se amontoaram em frente à imagem. Uns rezavam, outros faziam fotos e alguns apenas olhavam curiosos. Todos queriam estar perto da Santa.
Carregando uma réplica de Virgem de Nazaré revertida por um manto vermelho, Terezinha de Jesus dos Santos esperava pelo momento em que ficaria de frente com imagem original. “Eu preciso chegar perto dela. Vim no Círio, mas eu não tinha como estar muito perto porque eu poderia cair”. A preocupação com o braço seguro por uma tipoia estava diretamente relacionada à graça alcançada. “Eu consegui a cura de um câncer de mama”, explica. “Essa imagem que trago aqui hoje me acompanha por toda a vida desde que consegui minha cura”.
O padre maranhense Fábio Rondon também participou da procissão no domingo. Acompanhou a passagem da berlinda, a fé dos romeiros e a força dos promesseiros da corda, mas no dia seguinte, não pôde deixar de ir visitar a imagem na Basílica. “O que mais toca é a manifestação de fé das pessoas. É essa experiência que mais emociona”.
O grande número de pessoas que tomava conta do Santuário na manhã de ontem, segundo o padre Giovanni Incampo, já faz parte da manifestação do Círio. “Nem todos viajam logo depois do Círio, então, as famílias trazem os hóspedes, os parentes para tomar a última bênção”. Segundo ele, a participação dos devotos iniciou às 5h15 com a celebração do Terço da Alvorada e deve se estender até as 21h, quando é realizada a última missa do dia. “A procura pelas confissões é muito grande porque tem gente de fora de Belém que aproveita o espírito do Círio para fazer suas confissões”.
Para a enfermeira Maria de Jesus Brás, o Círio de Nazaré foi comemorado na segunda-feira. De plantão no hospital em que trabalha desde a tarde de domingo, pela primeira vez não conseguiu participar da procissão. De qualquer modo, assim que largou o serviço, ela foi até a Praça Santuário pedir bênçãos e agradecer à imagem peregrina.
A todo momento chegavam fiéis que queriam ver a imagem peregrina de perto. Apesar de fluir com rapidez, a fila que levava até a imagem já chegava ao meio da praça. Muitos já haviam participado do Círio, mas queriam mais um momento com a Virgem de Nazaré.
Entoando cânticos, a psicanalista Kátia Vasconcelos comemorava a oportunidade de estar perto da imagem da Santa. Ela também queria sentir a energia de fé que acredita ter em volta da Virgem de Nazaré. “Nós viemos para tomar as bênçãos de perto porque eu acredito que milagres acontecem”.
MISSAS
Durante a quinzena nazarena, a programação da Basílica Santuário contará com seis missas diárias, que acontecem nos horários de 6h, 7h, 8h30, 12h, 18h e 21h. Às 19h30, uma missa será realizada na Praça Santuário.
CONFISSÕES
Quatro padres ficam responsáveis pelas confissões na Basílica. O atendimento é suspenso às 12h, mas retorna às 14h30.
(Diário do Pará)
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