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CÍRIO DE NAZARÉ

Queima de fogos não afetará periquitos

Com oito meses de vida, a pequena Raymara se encanta e faz a família inteira parar. É final de tarde na Praça Santuário, hora do espetáculo dos periquitos em revoada. “É uma coisa tão bonita né? Principalmente quando eles saem aos montes”, diz a avó de Ra

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Com oito meses de vida, a pequena Raymara se encanta e faz a família inteira parar. É final de tarde na Praça Santuário, hora do espetáculo dos periquitos em revoada. “É uma coisa tão bonita né? Principalmente quando eles saem aos montes”, diz a avó de Raymara, dona Socorro.

Se morasse por perto, o advogado Júnior Lima, 55 anos, diz que também faria mais visitas aos habitantes das samaumeiras da Praça Santuário. “É muito difícil achar uma concentração tão grande de pássaros no centro”.

Também é para os céus que os membros da família Moura dirigem os olhares. A matriarca, dona Rosa Maria, 44, se divide entre a mamadeira da neta e a “apresentação” dos periquitos. “Até o barulho deles é legal. Eles são os primeiros que estão dando o show, depois é que vem o outro”, diz a filha Viviane, referindo ao grupo musical que ensaiava próximo a elas.

Quem vive nas redondezas da praça, reclama do barulho, mas sente falta dos pássaros.“Mesmo incomodando, eles têm uma ligação muito forte [com o espaço]. É uma identidade daqui”, avalia Jéssika Paixão Dias, 17.

PÁSSAROS EM PERIGO

Mas essa convivência pacífica é ameaçada com a chegada do Círio, especialmente no encerramento da festividade, quando a diretoria do Círio de Nazaré organiza a queima de fogos de artifícios próximo à morada dos passarinhos. Em 2009, a queima de fogos, realizada há dez anos na Basílica Santuário de Nossa Senhora Nazaré, passou para a área do Instituto de Artes do Pará (ao lado da Basílica) e provocou a morte de dezenas de periquitos. O barulho espantou os animais que, desorientados, caíam das árvores em disparada, quando não iam em direção aos próprios fogos.

A guia de turismo Maria das Graças Ayan Gaia assistiu de perto a morbidez da cena. “De repente começou a cair um monte de pássaro, chega o chão ficou verde de tanto pássaro caído. Depois fiquei sabendo que todo ano é assim”.

A guia relatou o ocorrido ao Corpo de Bombeiros e escreveu uma carta pedindo providências para ajudar os “periquitinhos”. “Mandei para o Iphan, Ibama, Dema [Delegacia do Meio Ambiente], Corpo de Bombeiros, Secretaria de Segurança Pública”, lista Maria.

A movimentação, ao que parece, surtiu efeito. Em 2010, a queima de fogos foi transferida para o 28º Circunscrito de Serviço Militar (CSM), na travessa 14 de Março, mais afastado da praça.

Mas agora o que preocupa Maria das Graças é a noite de 25 de outubro, quando ocorrerá o encerramento do período nazareno e a tradicional queima de fogos. “Eu adorava os fogos, mas agora que sei o que acontece depois, não quero nem saber. Sei que é difícil mexer com a tradição, só acho que devia ser feito de uma outra forma”.

A diretoria promoverá o evento bem longe dos periquitos, novamente no terreno cedido pelo Exército. É o que garante Kleber Vieira, da Diretoria da Festa de Nazaré. “E terá menos barulho, porque os fogos
serão mais visuais”. (Diário do Pará)

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