O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse que poderá até apoiar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ligações do empresário de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos, com poderes Executivo e Judiciário e com os meios de comunicação.
Cachoeira foi preso no dia 29 de fevereiro pela Operação Monte Carlos, da Polícia Federal, que desmontou uma suposta rede da contravenção em Goiás com tráfico de influência no aparelho estatal. “A lista de contatos de Cachoeira também é emblemática porque vai desde políticos, passa pelo Executivo e pelo Judiciário e chega a jornalistas também. Segundo as informações que nós temos, há envolvimento inclusive na produção de matérias, produção de reportagens também por jornalistas. Então, isso tudo nos leva a uma compreensão de que é preciso, de fato, haver uma investigação mais aprofundada sobre todas estas relações e os impactos que essas relações tiveram na vida do País nos últimos anos”, afirmou Maia.
As declarações do presidente da Câmara foram feitas logo depois de ele deixar o Palácio do Planalto, onde participou da cerimônia do Plano Brasil Maior.
LIGAÇÕES COM PT
As ligações de Cachoeira com políticos atingiram o PT - o deputado Rubens Otoni, figura histórica do partido em Goiás, já está sob investigação, suspeito de ter recebido R$ 100 mil do empresário, mas principalmente a oposição. O senador Demóstenes Torres, o maior adversário do governo até o escândalo, é considerado politicamente destruído. O PT decidiu não dar a trégua pedida pelo governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, que poderia até desistir de disputar a reeleição para evitar que o escândalo seja alimentado. O líder do partido, Jilmar Tatto (SP), foi à tribuna pedir a abertura de uma CPI para investigar o escândalo que envolve Cachoeira com o aparelho do Estado - e que pode se estender também a alguns dos meios de comunicação.
Marco Maia não costuma atender a pedidos para a abertura de CPIs. No caso atual, ele se disse disposto a aceitar a abertura de uma. “Já foi feito o pedido. Eu pedi a minha assessoria técnica que examine se é o caso de abrir. Estou aguardando a resposta”, disse Marco Maia. O requerimento para a CPI de Carlinhos Cachoeira foi encabeçado pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP).
Os petistas, porém, não ficaram sozinhos na intenção de abrir uma CPI. O líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), também foi à tribuna defender a abertura das investigações por intermédio de uma CPI. O senador Demóstenes Torres desligou-se do DEM nesta terça (ontem), depois de ser informado de que o partido abriria processo para expulsá-lo em uma semana. O DEM acredita que, agora que se livrou de Demóstenes, com a CPI poderá atingir o PT, enfraquecendo o partido no ano de renovação de prefeitos e vereadores. (AE)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Comentar