Bons ventos começam soprar a favor de comerciantes e empresários da capital paraense. Faltando pouco mais de um mês para o Círio 2012, lojas especializadas em artigos religiosos e hotéis comemoram o aumento das vendas e a procura por serviços que em alguns casos já estão esgotados. O período tradicionalmente dá fôlego à economia. No ano passado, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese), foram movimentados cerca de R$ 800 milhões no estado.
Proprietário da Casa Círio, loja com mais de cem anos de tradição na confecção de velas e objetos em cera, o empresário Pedro Manoel Barbosa atende promesseiros de todo Pará. Nas prateleiras da fábrica, localizada no bairro da Cidade Velha, 80% da produção já aguarda os fiéis, que começam a garantir suas peças. São cerca de 100 mil unidades que variam da tradicional ‘casa’ aos mais variados órgãos do corpo humano. “Tudo que o promesseiro precisa a gente oferece. As promessas mais comuns envolvem casa, cabeça, braços e pernas. Mas nós temos aqui todos os órgãos do corpo humano que se possa imaginar”, garante Pedro Manoel, que conta com uma equipe de seis funcionários, trabalhando de segunda a sábado, nesta época do ano.
“A produção não para. Muito do que o cliente precisa já fica no estoque, mas se a promessa envolver algo que não temos fabricado, a gente providencia. Somos a ponte entre o promesseiro, a Santa e o céu. Se a gente parar, o promesseiro não tem como cumprir a promessa e isso não pode acontecer”, justifica o empresário. De acordo com ele, 85% da produção total da loja atende católicos da capital que já começam a comprar a partir de agora. O restante é de promesseiros que participam dos diferentes círios realizados no interior do Estado. “Muito promesseiro é precavido, compra com antecedência, mas as vendas também aumentaram em virtude das festas em homenagem à Santa no interior”.
Na loja Lírio Mimoso, ligada à Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré, o movimento de procura se intensificou desde o lançamento do cartaz do Círio, em maio deste ano. Imagens em diferentes tamanhos, chaveiros, fitinhas, quadros e artigos de cama, mesa e banho estão disponíveis em preços para todos os bolsos.
Vivendo em São Paulo há 30 anos, o paraense Mário Cavalcante, 56 anos, não abandona as origens e a devoção. “Apesar de estar longe, não me separo de Nossa Senhora de Nazaré e não deixo de rezar. Em casa temos uma imagem grande e já estou levando mais uma. Nunca é demais”, afirmou, enquanto escolhia o que levar de volta na viagem.
(Diário do Pará)
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