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CÍRIO DE NAZARÉ

Peregrinações preparam devotos para o Círio

A menos de um mês para o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, o clima de fé e solidariedade já contagia aos corações dos paraenses que se preparam para este grande momento de fé em Nossa Senhora. No seio de muitas famílias, estes preparos começam com as pere

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A menos de um mês para o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, o clima de fé e solidariedade já contagia aos corações dos paraenses que se preparam para este grande momento de fé em Nossa Senhora. No seio de muitas famílias, estes preparos começam com as peregrinações da imagem da padroeira em seus lares – uma tradição que existe há aproximadamente 40 anos e que no ano passado visitou mais de 110 mil domicílios da Grande Belém.

As peregrinações são novenas realizadas diariamente em casas diferentes, em famílias distintas, que abrem as portas para receber a pequena imagem da “rainha da Amazônia”, que será sorteada para uma delas no final de cada temporada.

Para este ano, a Diretoria da Festa de Nazaré informou que mais de 5,5 mil réplicas da imagem peregrina foram confeccionadas. As peregrinações nas casas tiveram início um dia depois da Missa do Mandato, celebrada no último dia 23, que enviou as representações para as paróquias e repassadas aos grupos de peregrinações.

A dona de casa Regina Célia Barroso, 51, conhece bem a importância das novenas nas semanas que antecedem a grande romaria. Ela participa das peregrinações desde criança e, em 1989, decidiu formar um grupo de peregrinações na rua onde mora, no conjunto Cidade Nova VI, em Ananindeua. “As peregrinações não são apenas uma preparação para o Círio, elas também denotam uma forma de preparar as pessoas para a palavra de Deus. Os devotos de Nossa Senhora abrem as portas e o coração para a boa nova”, comentou.

A história de Regina apresenta uma particularidade pouco percebida que é a tradição repassada de geração a geração. Ela é filha de coordenadora de grupo peregrinação. Na infância, seguia o grupo de evangelização guiado pela mãe, Margarida Barroso, 70 anos, que até hoje leva a palavra de Deus para onde vai, numa contínua caminhada de fé e devoção pela Virgem de Nazaré. “Eu vejo o Círio como um momento em que Nossa Senhora abraça a todos nós com o seu manto e caminha numa só direção”, comentou Margarida.

CHAMADO
Quando casou, Regina começou a participar das peregrinações em outro grupo de oração, que ficava mais próximo de sua casa, já que tinha se mudado para um lugar mais distante da mãe. Até que, em 1988, ela foi contemplada com uma imagem no final da caminhada. “Eu lembro que estava grávida do meu filho caçula, então senti a necessidade de coordenar um grupo, até por causa da grande quantidade de crianças que participavam. Eu senti como se fosse um chamado”, relatou Regina, que, 24 anos depois, ainda tem em casa a imagem que ganhou no sorteio.

“Em alguns anos o nosso grupo de peregrinação chegou a visitar mais de 40 casas”, destacou Regina Célia. Em cada lar visitado, ela se impressionava com a devoção e a fé que os moradores depositavam na Virgem de Nazaré. “Uma vez nós fizemos duas famílias vizinhas voltarem a se falar durante uma das novenas. Elas se desentenderam durante uma briga e passaram muito tempo sem se falar”.

Por onde caminhava, além da palavra de Deus e dos ensinamentos de Maria, a coordenadora do grupo de orações, intitulado “Deus Proverá”, fazia questão de destacar que Nossa Senhora de Nazaré caminhou naquele ambiente familiar porque queria algo daquelas pessoas. “Ou ela queria o perdão, a união entre os familiares, a cura de uma enfermidade, em geral atender uma necessidade daquelas pessoas”.

Manifestação de devoção pela padroeira
Segundo a filha de Regina, Karolina Barroso, 29, foi durante as peregrinações que ela aprendeu a rezar e a manifestar sua devoção pela padroeira. “Éramos crianças e encarávamos aquela jornada de visitar as famílias levando a imagem de Nossa Senhora de Nazaré como um grande momento de confraternização. A gente via nos olhos do dono da casa a alegria de receber a mãe de Jesus no seio de sua família”, ressaltou.

Hoje turismóloga, Karolina compara as peregrinações a uma espécie de “minicírios”, que também ajudam os devotos a caminhar em louvor a Nossa Senhora de Nazaré. “Quando a gente é criança, não percebe que ali na procissão tem aqueles que seguram as velas, outros que vão rezando o terço e outros cantando. É um momento em que uns pedem, outros agradecem e no final todos louvam. O grupo caminha e a imagem de Nossa Senhora de Nazaré segue ali no meio da gente, parece como quem segue o Círio”, analisou.

Karolina incentiva os filhos a participar das peregrinações. “Eu tento mostrar para eles que ali a gente começa a dar os primeiros passos para a evangelização. Depois a gente só completa a caminhada com a 1ª Eucaristia e a Crisma. Eles passam a conhecer ali, a igreja, aprendem a rezar. Ir à missa não é a mesma coisa que receber a peregrinação em casa”. (Diário do Pará)

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