Dois milhões de pessoas caminhando em ruas que não foram planejadas para abrigar tanta gente. Uma corda de 400 metros, pesando 600 toneladas, sendo carregada por milhares de romeiros. Três quilômetros e seiscentos metros de um percurso que desgasta pelo calor e pelo esforço físico. Nos céus, centenas de fogos de artifício sendo queimados para homenagear a imagem que navega pelo mar de gente. Para muitos paraenses, o segundo domingo de outubro é o mais marcante do ano. No entanto, garantir que o Círio de Nazaré comece e termine como o planejado demanda um grande trabalho mútuo.
O Corpo de Bombeiros, por exemplo, deverá deslocar cerca de 850 homens para trabalhar durante as 11 romarias da festa nazarena. O esforço será realizado em conjunto com mais 24 órgãos, entre eles Marinha, Exército, Aeronáutica, Polícia Militar, Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran), Companhia de Trânsito de Belém (Ctbel), Guarda Municipal e Diretoria da Festa.
Segundo o major Walber Pereira, quatro unidades de resgaste do Corpo de Bombeiros ficarão em postos fixos durante a Transladação e cinco durante a procissão do domingo. “O trabalho do corpo de bombeiros vai desde a prevenção e a vistoria dos fogos, resgates em casos de urgência e vistoria de palanques”, explica.
Somam esforços aos órgãos públicos 26.138 voluntários, ligados a 25 instituições, que atuarão divididos entre as procissões. Além disso, cerca de oito mil homens da PM se revezarão em turnos do próximo dia 10 até o Recírio. “É importante conversarmos e reunirmos forças para que todas as instituições tenham conhecimento de sua atribuição. Unidos, nós podemos fazer com que a festa nazarena ocorra sem nenhuma ocorrência com gravidade”, fala o major. Em 2010, esta integração permitiu que um incêndio em um casarão no bairro do Comércio, em pleno domingo de Círio, fosse controlado antes de atingir proporções maiores.
FOGOS
Um dos pontos que merecem mais atenção é em relação às homenagens envolvendo fogos de artifício. Na última semana, representantes dos sindicatos que realizam shows pirotécnicos durante as procissões apresentaram seus projetos ao Corpo de Bombeiros. “Eles precisam ser representados por um engenheiro responsável para informar dados como: o que vão fazer, de que órgãos pertencem e onde vão realizar a homenagem. A partir daí, a diretoria de Serviços Técnicos verifica a polegada dos fogos, a carga que vão utilizar, se existe área de segurança e evacuação em caso de acidentes e, depois disso, dá o aval”, esclarece o major Walber. A proximidade com áreas que oferecem risco, como casas de fogos ou postos de combustível, são levadas em consideração na hora de definir a margem de segurança.
Por conta da proximidade dos fiéis, ano passado, a possibilidade dos fogos serem queimados em balsas na bacia do Guajará chegou a ser cogitada pelo Corpo de Bombeiros. A sugestão não agradou nem aos estivadores, nem aos arrumadores. “Este ano eles reduziram a potência e a quantidade de fogos. Como os padrões estão dentro da normalidade, eles estão isentos de se adequarem às balsas. Talvez ano que vem eles já incluam isso no projeto”, explica o major.
De acordo com Pereira, os pontos fixos em que são realizadas as homenagens já constituem uma tradição. “É como se eu tirasse os periquitos da árvore do CAN. Já virou um evento cultural. Não tem problema nenhum. Basta que os projetos sejam apresentados na data marcada, que a avaliação e a vistoria sejam feitas e que cada um cumpra seu papel”, completa Walber.
Segundo um dos coordenadores do Sindicato dos Estivadores do Estado do Pará (Setemep), Raimundo Nazareno, os fogos que deverão fazer parte das homenagens deste ano chegaram na última quarta-feira (25). Serão 3.000 dúzias de pistolas mais uma grande variedades de fogos de artifício tipo torta, responsáveis pelas formas e coloridos especiais que enfeitam o céu na noite da Transladação, véspera do Círio. “Não é porque nós temos 3.000 dúzias de pistolas que vamos usar todas no dia do Círio. 1.000 vão ser usadas de quarta-feira a sábado, três vezes por dia, para preparar o espírito da cidade para a festa”, explica Nazareno. 400 dúzias de fogos deverão ser utilizadas na escadinha do Cais do Porto, ao final da Romaria Fluvial. A Praça dos Estivadores, em frente à Estação das Docas, concentrará o restante das homenagens.
Os estivadores do Estado são responsáveis pela maior e por uma das mais antigas homenagens pirotécnicas prestadas à Virgem de Nazaré. “Tudo tem que ser feito com todo cuidado e precaução necessária. Graças a Deus, nós fazemos essa homenagem desde 1946 e nunca tivemos nenhum problema ou prejuízos para os romeiros”, conta o coordenador do Setemep. “É um trabalho que eu faço com orgulho. Uma satisfação muito grande. Quando acaba, a sensação que fica é de dever cumprido”, diz o coordenador.
Para Kléber Vieira, diretor-coordenador da Diretoria da Festa de Nazaré, as homenagens são bem-vindas, desde que feitas com segurança. “Todo mundo quer e tem o direito de homenagear Nossa Senhora de Nazaré. A própria igreja faz homenagens com fogos. Qualquer iniciativa e qualquer manifestação que vise adorar a santa são válidas. É lógico que tudo tem que ser feito com o aval do Corpo de Bombeiros e dos órgãos competentes, para que sejam feitas sem nenhum risco”, avalia. De acordo com Vieira, nenhum acidente grave envolvendo fogos de artifício foi registrado durante toda a história do Círio.
O major ressalta que o Corpo de Bombeiros conta com o bom senso da população para que a corda da procissão não seja cortada. Além disso, ele pede que os motociclistas que participarem da Moto Romaria obedeçam às regras de trânsito. “Infelizmente, uma minoria aproveita a festa para fazer exibicionismo. Eles usam a descarga das motos para fazer barulho, que é como se fosse os ‘fogos’ deles. Alguns não usam capacetes ou equipamentos de segurança. Nós pedimos compreensão para que esse tipo de coisa seja evitada”, solicita.
FAÇA SUA PARTE:
- Não se aproximar de locais onde acontecerão grandes queimas de fogos;
- Não permanecer em marquises, sacadas e passarelas;
- Não deixar crianças penduradas em sacadas, janelas de edifícios, em cima de vasos de plantas, etc.;
- Não jogar fitas e/ou papel laminado dos altos dos edifícios, para evitar problemas na rede elétrica, como curto-circuito e incêndio;
- Não se apoiar em guarda corpo (parapeito);
- Não fazer uso de arquibancadas improvisadas;
- Informar ao Corpo de Bombeiros os locais de queima de fogos improvisados;
- Fazer uma boa alimentação antes de sair de casa, para não ficar vulnerável ao calor e ao cansaço;
- Usar roupas leves;
- Beber muita água antes e durante a procissão, a fim de evitar a desidratação;
- Não ingerir bebida alcoólica durante a procissão;
- Não carregar objetos cortantes e pontiagudos;
- Não jogar objetos que possam ocasionar acidentes no percurso da procissão;
- Usar protetor solar;
- Entregar crianças perdidas aos agentes públicos (bombeiros, policiais, guarda municipal, etc.);
- Identificar as crianças com nome, endereço e telefone;
- Manter sempre as crianças ao lado, seguras pelas mãos, e não largar sob nenhuma hipótese;
- Não levar crianças para lugares de grande concentração de pessoas.
(Fonte: Ascom/Corpo de Bombeiros)
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