A Diretoria da Festa de Nossa Senhora de Nazaré apresentou à imprensa e convidados, ontem à noite, a berlinda do Círio totalmente restaurada e com nova iluminação em fibra ótica. A apresentação foi feita pelo coordenador da Festa, Kleber Vieira e pelo padre Ramos, da paróquia de Nazaré, na Sala dos Carros, no Centro Social de Nazaré, onde ficam guardados os 13 carros, as cinco estações que acompanham o Círio, além da própria Berlinda.
O conservador e restaurador, Sérgio Melo, diretor do Museu Histórico do Estado, levou três meses para concluir o trabalho. Segundo ele, desta vez não foi feita uma simples recuperação da Berlinda, mas um trabalho mais aprofundado. Toda a pintura e material estranho como parafusos e grampos encontrados foram retirados e a peça foi totalmente raspada até a madeira original de cedro vermelho, vindo de Ourém.
A cúpula interna superior, que estava totalmente apodrecida, foi substituída por uma feita da mesma madeira e com as mesmas medidas da antiga. Depois a berlinda foi coberta com 22 mil folhas de ouro italiano de 22 quilates. “Nós tivemos todo o rigor porque se trata de uma peça tombada, de 48 anos, que sofreu algumas interferências, mas não no grau de agora”, afirmou o restaurador. Ele disse que é preciso ter humildade diante de uma peça tão importante para o povo paraense.
A lighting designer, Thaiza Dias, uma paraense radicada em Madri, fez a iluminação. Ela disse que o sistema é um dos mais modernos do mundo e que tem menor risco de choques, além de diminuir o consumo de seis para duas baterias durante todo o percurso da procissão. Ela preferiu uma iluminação totalmente branca no interior para deixar a imagem sem sombras e bem visível para os devotos e uma coloração amarela no exterior. “O branco lembra a paz, a santidade e a pureza de Nossa Senhora”, explicou.
A restauração da Berlinda custou R$ 28.600 que foram doados por nove empresários de Belém, representados na ocasião pelo ex-deputado Jorge Arbage, que articulou a coleta. Ele citou, entre outros o ex-coordenador da Festa, César Neves, Carlos Xerfan, Oscar Rodrigues e o jurista Zeno Veloso.
Kleber Vieira e o padre Ramos agradeceram a todos pela colaboração. Segundo Kleber, a iluminação supermoderna não conflita com a tradição. “Ela resgata a vontade popular de ver Nossa Senhora sem sombras, sem manchas, uma imagem bem iluminada”.
RARIDADE
A atual berlinda, esculpida pelo artista João Pinto, em 1965, não possui pregos ou parafusos. È toda feita com encaixes e cola. Já é a quinta Berlinda usada no Círio. A Berlinda substituiu os carros de boi que começaram a ser usados em 1955. Em 1880, Dom Macedo Costa mandou fazer uma nova que era carregada por hastes. Em 1925, Dom Irineu a transformou num andor com hastes e que foi usada até 1930. Em 1931 volta a berlinda com rodas. Em 1963 a berlinda foi substituída por uma de ferro e cristal, mas o povo não gostou e, em 1965, foi feita a atual que agora volta a todo o seu esplendor original.
(Diário do Pará)
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