São 3.600 km de percurso cheios de fé em uma das maiores festas religiosas do Brasil. E ao longo desta procissão, centenas de romeiros acompanham a Virgem de Nazaré, em especial os promesseiros da corda, que tem tradição desde o início do século passado. Este ano, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA) estima que cerca de 7.600 fiéis deva puxar a corda da berlinda.
As medições feitas em 2001 mostram que por metro linear de corda cabem em média 12 pessoas (sendo seis de cada lado). Com isso, o número de promesseiros em 400 metros atingirá no máximo 4.800 pessoas. Juntando este total, os 342 promesseiros que estarão nas estações, que são cinco, e no núcleo da cabeça, serão um total de 5.142 promesseiros, segurando a corda, as estações e o núcleo da cabeça.
Durante o trajeto da Trasladação e Círio, os promesseiros também colocam mão sobre mão, e o número de pessoas por metro linear neste caso poderia subir de 12 pessoas, sendo seis de cada lado, para no máximo 18 pessoas, com nove de cada lado segurando a corda e colocando mão sobre mão. Neste caso, o número de pessoas que vai na corda segurando e/ou colocando mão sobre mão ficaria bem maior.
Somado ao total de promesseiros que segura a corda (4.800 pessoas), aqueles que colocam mão sobre mão, o total de pessoas chega a no máximo 7.200 promesseiros. Com os 7.200 promesseiros, os 342 promesseiros que estarão no núcleo da cabeça e nas cinco estações (342 pessoas) terão então um total máximo de 7.542 promesseiros puxando a corda da berlinda no Círio 2012.
Este ano, além da mudança do local de fabricação, a corda também apresenta uma coloração diferente, está mais clara por não estar embebida em óleo como acontecia até o ano passado.
NÃO CORTE A CORDA
Ao todo, o Círio conta com onze Romarias. A mais demorada é a primeira, o Translado até Ananindeua, que inicia na Basílica Santuário e finaliza na Igreja Matriz de Ananindeua. São 55 quilômetros percorridos em aproximadamente 12h.
A previsão é que o Círio 2012 termine a. A cada ano o tempo da procissão é menor. Foi-se o período em que o Círio finalizava às 15h. Pretende- se extinguir ainda o costume de cortar a corda do Círio. Para isso, foi criada a campanha “Não corte a corda – Pague a sua promessa sem cortar a promessa dos outros”. Além de tirar a tração da corda que é atrelada à berlinda, o ato de cortar a corda é visto como desrespeito aos promesseiros. “Queremos chegar ao Colégio Santa Catarina com a corda amarrada à berlinda”, disse Dom Taveira.
O SÍMBOLO
A corda foi introduzida oficialmente no Círio de 1855 pela necessidade, quando as enchentes no Ver-o-Peso fizeram com que se atassem cordas a fim de os romeiros pudessem puxar a berlinda que conduzia a imagem, a corda incorporou-se de tal forma a procissão, que hoje 144 anos depois ainda é um dos mais fortes elementos da festa.
Esta introdução do objeto desagradou na época as famílias abastadas, que seriam obrigadas a acompanhar a procissão a pé, em vez de usar os veículos e cavalos a que estavam acostumadas. Também os bispos na época não costumavam ver com bons olhos a corda na procissão.
Em função de divergências, a Igreja através do bispo da época suspendeu o uso da corda na procissão do Círio entre os anos de 1926 a 1930, voltando somente na procissão de 1931, e desde então não saiu mais.
Com o intuito de deixar o percurso das procissões da Transladação e do Círio mais rápidas e com a perspectiva de chegar atrelada a berlinda, a Diretoria da Festa de Nazaré, desde o Círio de 2004, alterou o formato da corda deixando de ser em forma de “U” para ser linear. A exemplo dos últimos anos, as Cordas que serão usadas na Trasladação e Círio deste ano terão 400 metros de cumprimento, com 2,0 polegadas de diâmetro e pesando cerca de 600 quilos cada.
(DOL)
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