As tardes do domingo de Círio geralmente são reservadas para o almoço em família, onde amigos e parentes se reúnem para comer pratos típicos e comemorar a data. E assim o foi com a família Nunes. Reunidos na casa da matriarca, Teresa Nunes, 73, na travessa Bom Jardim, no bairro da Cidade Velha, foram mais de 20 pessoas que entre familiares e agregados participaram da comemoração. Mesa farta, muita música, dança e diversos adornos relativos ao Círio marcavam o espaço.
Segundo alerta Ana Helena Sousa, 47, não se trata apenas de uma refeição. “O almoço não começa enquanto a Santa não chegar na praça santuário. A santa tem que estar lá e todo mundo aqui”, afirma, recordando que essa tradição causou problemas em outros anos, quando a procissão demorava bem mais a terminar.
“Teve um ano que a procissão terminou quatro horas da tarde. A gente já tava brincando aqui dizendo ‘égua, assim nós vamos morrer de fome’, mas só começamos o almoço mesmo após terminar a procissão”, relembra, sorrindo.
Ana é esposa de Otávio Valdemar Sousa, filho de Teresa. Seu marido ajudou a construir uma longa tradição na família. “Foram 19 anos que a família acompanhou o Círio indo na corda” afirmou. Por problemas de saúde com o passar dos anos, se tornou inviável seguir a corda, e nesse momento a família adotou outra tradição. “Há 10 anos nos reunimos num ponto da Presidente Vargas, próximo aos correios, para distribuir água”, lembra Carmen Felicidade Nunes Sousa, 54, filha da matriarca.
Carmem mostrou uma coleção de camisas que a família ganhou na distribuição de água em outras edições do Círio. Ela afirma que toda família é católica devota. “Aqui todo mundo briga, mas todo mundo reza”, conclui.
(Diário do Pará)
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