Anjos, pequenos promesseiros e tão novos devotos de Nossa Senhora de Nazaré participaram do Círio das Crianças, que reuniu 350 mil pessoas nas ruas de Belém, ontem. É a quarta maior romaria e a nona do calendário da Festa de Nazaré.
A caminhada teve início após a missa presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira, na Praça Santuário, e percorreu cinco ruas do bairro de Nazaré – num trajeto de 2,8 quilômetros, realizado em duas horas. Por onde passou, a imagem peregrina foi homenageada. Alguns promesseiros pagaram ex-votos distribuindo pipocas para as crianças, que seguiam a procissão cantando, ao lado de pais, avós e outros familiares. Diferente das demais procissões, no Círio das Crianças a imagem é conduzida num cibório e com quatro carros de anjos. A tradição completou 23 anos em 2012.
O domingo amanheceu repleto de anjinhos espalhados pela cidade. Alguns caminhavam com os próprios pés, apesar das asas. Outros preferiam ir no colo, como se voassem. Todos seguiam uma só direção: a Praça Santuário, onde iriam encontrar com seus pais, avós, irmãos e até amigos a padroeira dos paraenses.
Apesar de novinhos, a maior parte dessas crianças está ali por um motivo especial que reforça a fé em Nossa Senhora. É o caso da pequena Ana Laura Freitas, que só tem seis meses de idade. Ela foi levada pela mãe, Naudilene Freitas, que ficou bastante emocionada ao lembrar a promessa que fez à padroeira, para que intercedesse por Aninha. “Foi uma gravidez de risco, e quando ela tinha um mês de nascida, sufocou”, contou em prantos. Durante cinco anos, Naudilene irá levar a filha vestida de anjo para agradecer a graça alcançada.
Também foi o primeiro ano em que a Marcele Chermont, 2, participou do Círio das Crianças vestida de anjo. A mãe, Marcia Chermont, contou que a menina caiu e bateu com a cabeça no chão. Desesperada, a mãe pediu pela interseção de Nossa Senhora para que nada de ruim pudesse acontecer. “Eu cheguei aqui [à Praça Santuário] cedo, e tudo o que já vi deixa a gente emocionada, principalmente ao ver a quantidade anjos”.
Dom Taveira ressaltou a importância da participação de todos durante o Círio, em especial o das crianças. “Nós temos que nos tornar crianças para entrar no Reino dos Céus”, destacou o arcebispo, citando a Sagrada Escritura.
CICLO ROMARIA
As ruas da capital paraense, a cada dia, parecem mais sobrecarregadas de carros e o trânsito difícil testa a paciência de muita gente. Na manhã do último sábado, graças a Nossa Senhora de Nazaré, foi possível ter uma ideia de como seria a cidade se Belém e a população fossem preparadas para realizar trajetos de curta distância com bicicletas. A Ciclo Romaria, que já acontece há nove anos, reuniu cerca de três mil ciclistas acompanhando a imagem peregrina de Nossa Senhora. Pelo percurso de 13,8 quilômetros, fé, homenagens, devoção, bicicletas enfeitadas e a alegria de poder pedalar com tranquilidade ao lado da Virgem de Nazaré.
A Ciclo Romaria saiu da Praça Santuário e passou por 19 avenidas antes de voltar ao ponto de partida, o mesmo percurso do ano passado. Ela é a sétima das Romarias Nazarenas. Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de sete mil pessoas participaram do evento, entre ciclistas e fiéis que acompanharam a passagem da imagem. Eduardo da Silva, 24 anos, pintor, suava para acompanhar a procissão. Há dez anos participando da romaria, ele faz parte de um grupo de amigos que reúnem todos os anos com o mesmo objetivo: o pedal da Fé. “Eu pedi pra ela [Nossa Senhora] curar meu filho e pela saúde da mulher. Isso aqui [a romaria] é um milagre dela e de Deus”, disse enquanto parava para descansar um pouco.
Maria José, 58 anos, professora aposentada, afirma que pedala todos os dias. “Tudo que eu posso fazer perto, eu procuro fazer de bicicleta. Eu acho mais prático e, além disso, quero viver muitos anos ainda”, brinca.
Manoel Machado, 43 anos, recolhe materiais para trabalhar com reciclagem. Todos os anos, ele faz questão de decorar sua bicicleta para homenagear a Virgem de Nazaré. “Eu me inspirei no tema ‘Ao pai, por Cristo, no Espírito Santo, com Maria e do jeito de Maria’. Fiz o desenho do estandarte e confeccionei tudo sozinho com o que eu tinha catado”, conta o fiel. Atrás de sua “cargueira”, companheira de trabalho, um grande esplendor com uma pomba simbolizava o Espírito Santo. “Não pesa. Tô acostumado. Não tenho palavras pra dizer o quanto eu tô feliz”, desabafou.
(Diário do Pará)
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