A imagem de algumas centenas de pessoas cantando e rezando enquanto acompanhavam uma berlinda improvisada sobre um carro dos bombeiros foi o suficiente para fazer a estudante Simone Castro chorar nas primeiras horas da manhã de ontem. Ela foi surpreendida quando coincidentemente passava em frente ao bloco de enfermagem no exato momento em que fogos faziam pequenas nuvens no céu em homenagem ao 5º Círio da UFPA. O evento nascido dentro do Hospital Universitário Bettina Ferro já é parte do calendário oficial do Círio de Nazaré há três anos e a cada edição ganha mais adeptos.
Há, porém, coincidências históricas entre a universidade e o festejo. Por volta do século XI depois foi dentro das imediações pertencentes a ordens religiosas que surgiram espaços de produção de conhecimento cujo modelo mais tarde serviu de base para a criação de universidades, depois alguns conhecimentos questionados pela igreja até chegar no formato atual, como o da UFPA. Também o Círio teve origem no seio católico e depois, pelas graças do povo, ganhou elementos algumas vezes contrastantes com os desígnios da Sé. Chegou a ser proibido, mas resistiu. E ontem foi celebrado mais um espaço harmonioso entre fé e ciência.
“Não pegamos um centavo do recurso universitário porque [a UFPA] é uma instituição laica, mas com coletas, com patrocinadores e muita perseverança conseguimos garantir mais um Círio que custa no mínimo R$ 10 mil”, comemorou Nádia Nogueira, servidora pública e uma das organizadoras. Conforme explicou a servidora Nazaré Moura, Por dois anos seguidos a imagem peregrina foi levada ao Bettina e em seguida surgiu a ideia da realização da procissão.
(Diário do Pará)
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