Vinte e duas internas do Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua cantarão, pela primeira vez, durante a procissão da Trasladação, neste sábado (12). O coral de internas é resultado do projeto “Dó Ré Mí Faz Melhor”, coordenado pelo Programa “Começar de Novo”, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A iniciativa conta com a parceria da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe).
De acordo com Cláudio Rendeiro, juiz titular da 1ª Vara de Execuções Penais e coordenador do Programa “Começar de Novo”, o projeto já existia desde 2007, com algumas experiências realizadas em unidades prisionais masculinas. No ano de 2008, o projeto passou a ser realizado no CRF.
“O projeto “Dó Ré Mí Faz Melhor” utiliza a música como ferramenta de reinserção social e humanização. Sabemos que a música tem um efeito terapêutico, o que é reconhecido por estudiosos. Trazer a música para o ambiente carcerário diminui o estresse e serve também para que o próprio interno se perceba como sujeito, como alguém capaz de produzir, que tem uma aptidão, que pode ser reconhecido e fazer algo útil. O projeto foi pensando nisto. Não é somente música pela música e, sim, resgatar através dela a autoestima e a dignidade humana”, afirma o magistrado.
De acordo com a Susipe, o coral do CRF vai cantar durante a Trasladação à convite da Arquidiocese de Belém. A apresentação das internas ocorrerá durante as homenagens dos Correios, instituição que também é parceira do projeto “Começar de Novo” na empregabilidade de internos e egressos do sistema carcerário paraense.
Os ensaios já acontecem desde o inicio de setembro. O repertório inclui 10 músicas religiosas, dentre elas as tradicionais “Vos Sois o Lírio Mimoso” e “Virgem de Nazaré”. O coral tem regência do maestro Abiézer Monteiro.
Fabíola Bezerra, presa há quase um ano no CRF é devota de Nossa Senhora de Nazaré e fica ansiosa a cada ensaio do coral. “É uma emoção muito grande poder participar do Círio. Esta ocasião é uma oportunidade para que a sociedade nos conheça e saiba que nós queremos mudar de vida. É uma oportunidade muito importante para nós e vamos fazer por onde merecê-la. A música me ajuda a esquecer dos problemas. Nós nos divertimos muito e durante os ensaios chegamos até a esquecer de que nos encontramos em uma prisão. Esse projeto nos mostra que nós podemos seguir por outro caminho e que temos capacidade para isso”, conclui Fabíola.
(DOL, com informações da Agência Pará)
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