Com a proximidade de outubro e os festejos pelo Círio de Nossa Senhora de Nazaré, a fé católica se materializa em objetos, imagens e hábitos diferenciados, que vão desde a alimentação até modos de se relacionar com a religião católica.
Um destes hábitos, em geral motivado por alguma promessa, é o de produzir objetos de cera para representar graças alcançadas. A motivação religiosa, no entanto, pode se tornar também um grande negócio.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), os preços dos objetos de corpo humano variam bastante. O busto de mulher, por exemplo, está custando, em média, R$ 10,00; a cabeça fica no valor de R$ 9,00 e o coração é vendido por R$ 5,50. A produção e consumo aumenta com a proximidade de outubro e torna a rotina de alguns fabricantes mais corrida e rentável.
A pequena fábrica de objetos de cera produz centenas de peças anualmente. Os motivos em geral se relacionam a cura de doenças ou conquistas pessoais. Foto: Cezar Magalhães/DOL
Um destes fabricantes é Pedro Barbosa, 52 anos, que trabalha há trinta anos com a confecção e venda dos objetos. Dono de uma loja especializada em produtos para o Círio, Barbosa acredita que apesar da crise econômica que o Brasil passou este ano, as vendas serão boas a partir de 1º de outubro.
Segundo ele, anualmente as peças mais procuradas são em formato de cabeça e de casa. “Nem sempre sabemos o motivo, até porque muitos fiéis não falam, mas deve ser relacionado a alguma doença. Já da casa é mais simples, já que é o sonho de cada brasileiro ter sua casa própria”, esclareceu.
As mãos e braços que representam a cura de doenças lembram a posição dos fiéis na corda do Círio. Guiados pela Fé e a seu modo, todos seguirão a procissão no dia12. Foto: Cezar Magalhães./DOL.
Pedro, que também é católico e devoto de nossa Senhora, destacou ainda que a motivação para trabalhar vai além do aspecto econômico, mas se relaciona com a própria Fé. “A matéria-prima teve alta, mas preferi manter os preços do ano passado. Sou católico, tenho minha convicção religiosa e me sinto muito bem ao saber que através do meu trabalho, faço a ligação entre o promesseiro e Nossa Senhora”, finalizou.
(Enderson Oliveira/DOL)
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