"Lembrança do Círio de Nazaré”. Qual devoto nunca amarrou uma fitinha colorida no pulso e fez três pedidos desconhece de uma das maiores tradições do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. No mês de outubro, é possível ver de longe, principalmente no bairro de Nazaré, o colorido das fitinhas. Assim como a tradicional de Senhor do Bonfim, da Bahia, a fita do Círio é um símbolo da fé e pode ser encontrada em diversas cores.
A Praça Santuário é um dos maiores cenários quando falamos das tão conhecidas fitas.A data aquece não só as vendas nas grandes lojas, mas também entre os vendedores ambulantes e a maioria dessas mercadorias é confeccionada pelos próprios comerciantes.A família Ferreira trabalha o ano inteiro em frente à Basílica vendendo as fitinhas que ela mesma produz em casa. A matriarca da família, Dona Lourdes Ferreira, 56 anos, há 30 anos tira o seu sustento das vendas das fitas.
“Comecei bem novinha aqui nesse mesmo lugar vendendo as fitas. Minha irmã me trouxe, mas acabou não ficando porque conseguiu um emprego de carteira assinada. Continuei na batalha todos os dias e aqui estou”, diz a comerciante. Durante esses anos, Dona Lourdes sustentou seus filhos através das vendas que ela sempre fez e hoje a família inteira trabalha vendendo não só as fitas, mas na venda de camisas, terços, cordas personalizadas, imagens, tudo confeccionado por eles.
Quando se aproxima o dia da procissão, a emoção aumenta
O filho mais novo de dona Lourdes, Mizael Ferreira, 30 anos, é responsável pela pintura das fitas. Na época do Círio, quando a venda aumenta, o artesão chega a pintar dez mil fitas por dia para poder suprir a demanda. “Começo a trabalhar às seis da tarde e termino entre meia-noite e uma da manhã, todos os dias. Outubro é o mês que a gente vende mais e, como a procura é grande, a produção aumenta”, conta.
A esposa de Mizael, Marluce Batista, diz que nessa época todo cansaço é compensado por conta de emoção que é trabalhar durante o Círio. “Eu passo o dia inteiro produzindo as cordas personalizadas para vender no dia da procissão. É uma emoção que não dá para explicar”, diz a artesã.A fé, união e muito dedicação movem essa família tão batalhadora. Dona Lourdes diz que todo esse esforço diário compensa. “É maravilhoso saber que fazemos também parte disso tudo, somos um símbolo dessa festa, dessa história. Trabalhamos aqui o ano inteiro, mas durante o Círio é mais emocionante”, finaliza.
(Diário do Pará)
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