Responsável por 1.000 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a redação tem um peso grande na nota final do candidato. A uma semana da aplicação da prova, considerando que a redação é realizada no primeiro dia do exame, 03 de novembro, é preciso estar atento a alguns detalhes para garantir um bom desempenho.
Professora de redação no Colégio Acrópole, Maíra Neves destaca que, nesta última semana antes da prova, é preciso equilibrar o processo de revisão e o cuidado com a saúde mental. Há que se ter em mente que, no período de sete dias não é possível revisar todo o conteúdo visto durante o ano inteiro. “Não precisa e não é recomendado ficar noites sem dormir, pelo contrário. É preciso ter um tempo para tentar relaxar e não se desgastar fisicamente antes da prova”.
Com isso em mente, a professora aponta de que maneira é possível se preparar nesta reta final. “Talvez seja interessante olhar temas possíveis de cair e fazer pequenos mapas mentais com estruturas básicas do texto; treinar questões relativas à partes específicas da redação como, por exemplo, a proposta de intervenção ou a introdução; e pesquisar repertórios socioculturais, termo usado para fazer referência às várias áreas do conhecimento que devem ser usadas na construção argumentativa do texto”.
Maíra explica que o Enem costuma exigir que o aluno discuta um determinado assunto, levando em consideração a complexidade da questão, o que acaba por envolver disciplinas de várias matérias.
“Nesse momento, é interessante que o aluno possa ler alguns fascículos de filosofia, sociologia, história, ou mesmo de ciências naturais ou exatas”, recomenda. “Esse tipo de leitura pode, ao mesmo tempo, ajudá-lo a se preparar para as provas de humanas e linguagens, como ajudá-lo também a fazer uma boa redação e, ainda, pode ser um meio de relaxamento em determinados casos, sem que essa preparação final seja um peso para a saúde mental”.
Utilizar a interdisciplinaridade e o repertório sociocultural no momento de realizar a redação também é uma dica apontada pelo professor de português e redação do Colégio Equipe e da rede pública de ensino, João Vicente. Ele lembra que os candidatos farão a prova já sabendo o tipo de texto que terão que construir, o dissertativo-argumentativo.
Portanto, o aluno precisa sustentar uma tese por meio de estratégias argumentativas. “O texto dissertativo-argumentativo exige criticidade do aluno, portanto, não é interessante encerrar o texto com um dado, por exemplo. O aluno tem que citar o dado, mas finalizar com uma explicação”, orienta o professor.
João Vicente aponta que entre os critérios de avaliação considerados pelo Enem na redação, a proposta de intervenção vale 200 pontos. Segundo ele, o candidato pode alcançar esses 200 pontos se ficar atento aos 5 elementos que a proposta de intervenção exige. “Na proposta de intervenção ele terá que identificar o agente, que é quem executa a ação; a própria ação; o modo; o efeito esperado e o detalhamento”, enumera. “Se ele conseguir construir isso bem, já garante 200 dos 1.000 pontos da redação”.
TEMA
No que se refere ao tema, outro ponto que costuma gerar preocupação nos candidatos antes e no momento da prova, o professor reforça que não é possível prever, mas que existem alguns eixos interessantes para que os alunos deem uma lida nessa última semana antes da prova.
“O tema da economia e do mercado de trabalho são bastante importantes, assim como a juventude e o mercado de trabalho, a juventude e a formação educacional”, analisa. “Sempre recomendamos que os alunos também deem uma lida na área da saúde porque é um eixo que há algum tempo não é abordado pelo Enem e que pode ser abordado sob o aspecto da doação de órgãos ou das campanhas de prevenção, por exemplo”.
Treino é o grande aliado na preparação
No ano em que a universitária Eunice Costa, 25 anos, conquistou a tão sonhada vaga no curso de medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), em 2018, o tema da redação do Enem envolveu a questão do controle dedados na internet.
Independentemente do tema, porém, Eunice conta que o que a ajudou a estar entre os que conquistaram nota 1.000 na redação do Enem foi uma rotina de muito treino, que incluía um dia inteiro de estudo dedicado exclusivamente à preparação para a redação.
“Durante a manhã de sábado eu estudava sozinha: fazia leituras de filosofia e sociologia, de reportagens e acompanhava alguns rankings de possíveis temas que podiam cair”, lembra. “Já à tarde eu fazia curso de redação em que nós tínhamos que fazer uma redação com um tema proposto na hora e com tema cronometrado. Eu encarava o curso como o momento de uma prova mesmo”.
Com o hábito de escrever sempre em exercício, Eunice conta que esperava fazer uma boa pontuação na prova do Enem, mas os 1.000 pontos a surpreendeu. “Eu esperava uns 960, então quando eu vi que tinha tirado 1.000 foi uma surpresa”, conta. “Eu estudei muito, mas a gente nunca espera tirar a nota máxima”.
Professora do curso de redação em que Eunice se preparou, Cristiane Mesquita lembra algumas das dicas repassadas à jovem e seus colegas durante a preparação. Considerando a necessidade de se realizar um texto dissertativo-argumentativo, a professora orienta que o candidato obedeça à estrutura.
ESTRUTURA
“Não há um número obrigatório de parágrafos, mas uma boa estrutura pode ser montada em um parágrafo de introdução, dois parágrafos de desenvolvimento e um parágrafo de conclusão”, explica. “Uma grande dica é não deixar o desenvolvimento em apenas um parágrafo”.
Outro ponto fundamental, segundo ela, é o aluno evitar ao máximo realizar transcrições do texto motivador. O aluno precisa evidenciar no texto a sua própria opinião e, vale lembrar, manter sempre a atenção à necessidade de utilização da norma padrão, evitando coloquialismos, ainda que entre aspas.
“O Enem é um momento único e também de muita pressão, mas se o aluno tiver um pouco de cuidado na estrutura da redação, com a interligação dos parágrafos por palavras que chamamos de conectores linguísticos, e se preocupar em expressar sua própria opinião, alcançará um bom desempenho”.
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