Em um processo seletivo para oportunidade de emprego, o currículo é o primeiro filtro na concorrência de uma vaga, portanto, manter a idoneidade das informações apresentadas é fundamental, já que ele é o primeiro contato entre a vaga e o gestor da empresa ou o Recursos Humanos. Mas, mentir ou supervalorizar habilidades são atitudes que podem facilmente ser descobertas, já que os recrutadores estão cada vez mais capacitados para fazer buscas e testes que podem delatar o candidato.
Os tipos de mentiras mais comuns, segundo a especialista em RH e diretora-executiva da Gestor Consultoria, Nara D’Oliveira, incluem o real motivo de saída do emprego anterior e o tempo de permanência. “Muitas vezes o profissional não performou bem na empresa, deixou de entregar algo combinado ou acabam dizendo que a empresa reestruturou o departamento. São mentiras de percurso. Há também o período de permanência, quando geralmente ficam menos tempo na empresa e dizem que foi mais”, diz, alertando que nas fases do processo seletivo os recrutadores levam em conta o que foi colocado pelo candidato e que as consultorias estão com processo mais refinado, deixando registrado se o candidato foi ou não honesto.
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No mais, as empresas, além de checarem referências, também fazem seleção por competência, pedindo ao candidato que informe detalhadamente experiências na área, relação com empregos anteriores, teste de idiomas (se a vaga solicitar), dentre outros.
Ao se interessar por uma vaga e preparar o currículo, ser o mais sincero possível e incluir informações verdadeiras é o mínimo que todo candidato deve fazer. Isto porque, de acordo com Nara, o currículo passa por dois canais de análises diferentes: um deles é o RH, que avalia de forma mais técnica e precisa as informações; e o gestor da empresa, que qualifica o todo e com um viés mais emocional, embora dificilmente o candidato saiba por quais canais o currículo será avaliado. “Quase nunca o candidato terá como saber, já que existem muitos canais para cadastramento. O candidato geralmente se cadastra em uma plataforma e o primeiro a analisar o currículo é a máquina, o sistema binário. Após isso, o currículo chega ao RH, onde farão a análise técnica e de requisitos e, na sequência, vai para o gestor. Entretanto, pode acontecer de o candidato se cadastrar para uma vaga por e-mail, e o currículo chega direto ao RH, ou o próprio gestor da empresa divulgar a vaga e receber o documento, avaliando afetivamente itens semelhantes como profissão, terem estudado na mesma escola ou se fizeram a mesma pós-graduação, etc.”, esclarece a especialista.
ORIENTAÇÕES
Alguns pilares são a base de um currículo, de acordo com a diretora-executiva. O primeiro deles são os requisitos, contendo formação, títulos, conhecimentos técnicos, idiomas, experiências, habilidades, dentre outros. Na sequência, o conteúdo, com um português correto, texto linear e veracidade das informações. E, por fim, a atenção do recrutador. “Estatísticas apontam que um recrutador demora menos de trinta segundos para ler um currículo e garantir que o candidato passe para a próxima fase do processo seletivo. Portanto, contendo os requisitos e o conteúdo, certamente o candidato irá alcançar o terceiro pilar, que é a atenção do recrutador”, diz ela.
A estrutura do documento deve seguir uma hierarquia de informações, apenas com o nome e o sobrenome no início e, na sequência, os objetivos. “E neste objetivo não é a frase que costumamos ver como ‘contribuir com o crescimento da empresa’. E sim, informar em qual área deseja trabalhar e ser mais específico”, orienta Nara. “Em seguida, vem as experiências, que é onde será ‘vendido’ o seu currículo e o candidato deve caprichar. Até mesmo trabalhos voluntários podem ser incluídos, e não necessariamente apenas experiências com carteira assinada. Depois, vem a formação, as habilidades e, por último, o contato e o endereço, pois estes são dados que não ‘vendem’ de imediato”, finaliza.
COMO FAZER CURRÍCULO
- Apresentar as informações de forma direta e objetiva, independentemente se o candidato tiver um ano ou trinta de experiência;
- Informar no objetivo a área de interesse ou específica, se houver;
- Incluir a logomarca da empresa para a qual está se candidatando, principalmente se for enviá-lo por e-mail;
- Acrescentar foto caso o currículo seja avaliado pelo gestor. Se for para o RH, é desnecessário a imagem;
- Contato e endereço podem constar por último no documento;
- Evitar formatar o documento em cores, pois atrapalha a leitura. Se for para chamar a atenção, no currículo em preto e branco, basta negritar alguns dados;
- Aproveitar todo o espaço da folha do currículo e, se possível, usar frente e verso;
- Contatos para referências dos profissionais de RH das empresas pelas quais os candidatos passaram são irrelevantes.
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