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A arte da dança flamenca chega a Belém

A arte e técnica da dança flamenca, envolta de mistério e paixão, têm despertado, cada vez mais, o interesse dos paraenses. O flamenco deixou de ser incomum e passou a ganhar destaque entre as danças populares. O ritmo é uma manifestação folclórica natura

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A arte e técnica da dança flamenca, envolta de mistério e paixão, têm despertado, cada vez mais, o interesse dos paraenses. O flamenco deixou de ser incomum e passou a ganhar destaque entre as danças populares. O ritmo é uma manifestação folclórica natural de Andaluzia, na Espanha, e imerge corpo e mente em um mergulho cultural vasto e rico. Mas não é só.

“Acredito que o flamenco pode tocar as pessoas de diversas maneiras”, explica o professor, bailarino e coreógrafo de flamenco Anderson Alves, que irá ministrar uma oficina de arte flamenca e todas suas faces aos iniciantes em Belém. “As aulas desta dança estão longe de se limitar ao aprendizado de passos e sequências coreográficas. Os que nunca tiveram contato com esta arte, provavelmente se surpreenderão em muitos aspectos, pois o seu estudo engloba vários tópicos culturais, antropológicos e étnicos que não têm muita diferença do que presenciamos em nosso cotidiano sociocultural. O flamenco é tão cultural quanto a nossa cultura”, destaca o paulista, que ministra workshops em todo o Brasil e já lecionou no Paraguai e na Espanha.

O professor ressalta que a dança flamenca é desafiadora e, quanto mais tempo se dedica à sua compreensão, maiores se tornam os desafios. “Inicialmente nos confrontamos com a sua riqueza e complexidade gestual: absorver essa nova linguagem corporal requer toda uma base de pesquisa do instrutor e que pouco a pouco vai sendo absorvida. Deste estágio adiante, os desafios passam a ter a mesma proporção dos interesses intelectuais de quem se propõe a estudá-lo, ou seja, quanto mais estudo, mais desafios!”, garante.

Segundo ele, a beleza da dança fica por conta dos seus trajes típicos, sua estética e magnificência musical. O vermelho e o preto sobressaem. O combo de cores é acompanhado de flores, rendas e muitos babados. Movimentos intensos, fortes e passos bem marcados acrescidos de doses extras de sensualidade são características do flamenco.

“Ser sensual, dramático ou expressivo são adjetivos aplicados ao comportamento humano, portanto não seria sensato descartar estas possibilidades. Porém, não é uma exigência constante. O flamenco é um veículo transmissor do próprio sentimento e manifestações dos impulsos mais naturais do homem. Nele buscamos em nosso interior tudo aquilo que temos necessidade de exteriorizar, fazendo com que esta gama de adjetivos se multiplique”, explica Anderson.

Como qualquer outra manifestação folclórica, o flamenco usa como meio de comunicação a música e a dança para registrar a identidade cultural de uma comunidade. E as curiosidades da prática são tantas que, em meados dos anos 1950, surge uma nova ciência que se dedica a estudar a arte flamenca. “Conhecida como Flamencologia, a disciplina agregou historiadores, sociólogos, antropólogos e folcloristas que se especializaram em investigar sua origem e evolução. Neste estudo se funde a tradição musical andaluza, poesia popular e referências históricas e geográficas dessa comunidade. Então tudo isso vai muito além da visão que poderíamos ter de uma aula de dança”, ensina.

Sobre Anderson Alves

O bailarino paulista iniciou seus estudos em artes plásticas e logo em seguida se dedicou às artes cênicas, que por consequência o direcionou também para a dança. Exerceu a profissão como ator e bailarino em musicais, e começou a se dedicar apenas à dança clássica, contemporânea e folclórica. O flamenco se sobressaiu como recurso principal para suas pesquisas e profissionalização, sendo, portanto, o que o define hoje como artista. Estudou com inúmeros maestros nacionais e internacionais para obter o título de bailaor e atuar não apenas bailando, mas também ensinando e difundindo a prática artística no Brasil e no exterior. No ano de 2012, radicou-se em Sevilha, na Espanha, fez cursos de baile e canto flamenco e atuou em tablados de Sevilha e Madrid.

SAIBA MAIS

II Workshop de Flamenco em Belém

De 26 a 28 de março

Horário: 19h às 20h20

Local: Instituto de Artes do Pará

Informações: 3355-2758/ 8103-0866/ 9602-5557

(Revista D'Semanal/Diário do Pará)

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