Quando pensamos em cuidados com a saúde, tendemos a pensar em duas situações extremas. De um lado a pessoa jovem, forte e saudável que sintetiza o bem-estar e, na outra ponta, a pessoa doente, que através da medicação ou cirurgia, procura recuperar sua saúde.
Todos queremos nos assemelhar com a primeira situação e tememos chegar à segunda, mas, entre as duas, há um ponto que causa estranha apreensão e medo – os exames. Fundamentais para descobrir problemas e doenças com antecedência e assim termos chances maiores de cura, nós ainda fugimos dos exames médicos como o diabo foge da cruz. Mas por quê?“
Apesar de serem de caráter preventivo, os exames são muito ligados à própria ideia de doença. Com medo de receber uma informação desagradável, muitas pessoas preferem não fazer os exames e deixar tudo pelo não dito – negando a doença antes mesmo de saber se há algum problema”, explica a psicóloga Suellen Saraiva, que atua em grupos de acolhimento a pacientes e famílias.
"O melhor remédio é Deus, mas nós tomamos nossos cuidados. Eu só tenho esse corpo aqui. Preciso dele bem para trabalhar. Precisando fazer exame, eu faço", afirma Dona jandira, 84 anos, feirante.
O papel dos familiares é apontado pela psicóloga como fundamental para a superação do medo. “Especialmente em exames para doenças muito graves, como o HIV, a pessoa começa a imaginar as mudanças que vai sofrer na sua vida, começa a se sentir isolada, com dúvidas se vai poder contar com alguém.
O diagnóstico posterior é mais aceito do que o exame”, aponta a psicóloga. Mas as causas da não realização dos exames também podem ter outras naturezas, como o desconforto. “Uma tomografia é um exame que pode causar sensação de claustrofobia, pois a pessoa fica durante um longo tempo deitada em um estreito tubo de metal. A endoscopia envolve anestesia geral e atravessar a garganta com um tubo. Tem um certo desconforto.
Para quem nunca fez, pode ser assustador”, explica Rodrigo Dias, médico geriatra e professor do curso de medicina da UEPA.
Confira a Série Dr. Responde do Diário do Pará, composta de cinco fascículos, publicados às terças-feiras de setembro. O primeiro fascículo saiu nesta terça-feira, 2 de setembro. Confira!
(Diário do Pará)
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