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A decisão de não ter filhos

É cada vez maios o número de casais sem filhos em muitos países. E na grande maioria dos casos, essa decisão não está relacionada ao fato de não haver afinidade com crianças. Sendo assim, como explicar o aumento da quantidade de pessoas que, espontaneamen

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É cada vez maios o número de casais sem filhos em muitos países. E na grande maioria dos casos, essa decisão não está relacionada ao fato de não haver afinidade com crianças. Sendo assim, como explicar o aumento da quantidade de pessoas que, espontaneamente, decidem pular essa etapa da vida?

Segundo um estudo do IBGE, em 2009, 17,1% dos lares brasileiros eram formados por casais sem filhos. Em 2004, esse número representava 14,6%, e cinco anos antes, apenas 13,3%. Para se ter uma ideia mais precisa da dimensão dessa tendência, houve um aumento de 50% entre 1996 e 2008. A constatação do instituto de pesquisa é de que o Brasil segue a tendência demográfica dos países desenvolvidos, em que as crianças se tornaram minoria na sociedade.

As consequências sociais dessa decisão, porém, existem e têm um grande peso: um país com muitos idosos vivendo cada vez mais - nos últimos dez anos, o número de idosos cresceu três vezes mais que a população brasileira como um todo - e poucos jovens terá sérios problemas econômicos e de mão-de-obra. De outro ponto de vista, menos pessoas resultam em um impacto ambiental menor.

Segundo a psicanalista Luci Mansur, autora do livro Sem filhos: a mulher singular no plural, afirma que a queda de nascimentos está relacionada ao ingresso da mulher no mercado de trabalho; então a decisão de não ter filhos é legítima e deve ser tão respeitada quanto a decisão de ter muitos filhos.

Nos dias de hoje as pessoas têm mania de achar que existe uma quantidade ideal de filhos que todos os casais devem seguir e pensar que ter filhos é o caminho natural da vida de qualquer pessoa é fruto de uma mentalidade atrasada, na qual a maternidade faz parte da evolução da mulher e a torna completa, explica a psicanalista.

O FAMOSO INSTINTO MATERNO

Da forma como o conceituamos, o instinto materno está presente em todos os seres humanos: homens, mulheres, idosos e crianças. Em alguma medida todos nós somos protetores, acolhedores e cuidadores, sabendo naturalmente como confortar outras pessoas e "dar colo" quando solicitados ou atendendo a um apelo solidário. E fazemos isso com nossos pais, irmãos, amigos e até desconhecidos. Um bom exemplo é quando entregamos donativos, apadrinhamos financeiramente alguma instituição filantrópica ou praticamos caridade no sinal de trânsito e nas calçadas das cidades. E isso mostra um impulso natural de acolher ou confortar.

Ainda de acordo com a especialista, são muitos os motivos que levam os casais a deixarem a procriação de lado, como o desejo de se dedicar mais ao casal, os questionamentos sobre a capacidade de assumir e criar uma criança, a preferência por menos preocupações financeiras e inquietações em relação à superpopulação e ao futuro do planeta são algumas das razões que afastam os casais de ter filhos.

Seja qual for a escolha do casal, o importante é que ela seja tomada em conjunto, avaliando os impactos em sua vida e, sobretudo, na vida da criança. Afinal, os adultos têm o direito de escolha, enquanto os pequenos serão conduzidos pelos desejos, vontades e condições de seus pais. Uma grande decisão, sem dúvida.

(DOL com informações da Revista Galileu e dos sites Vital e Terra)

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