Quando pensamos na saúde, os exames médicos aparecem em duas situações. Na forma preventiva, quando não sente nada, o paciente busca exames para garantir que não adoeça, ou para que possa se recuperar antes que alguma doença se manifeste. Já quando o paciente sente um desconforto, os exames surgem para descobrir qual a razão do problema, sua gravidade e como é possível tratar. Pela própria descrição, é notável que a primeira situação é muito mais vantajosa, mas o medo e receio de avaliar acabam constrangendo pacientes, de uma forma que, mesmo após a manifestação dos sintomas, a ida ao hospital é postergada. Isso torna problemas simples em doenças sérias. E, quando o atraso é muito grande, às vezes não há como curar.
FORTES E DOENTES
“O machismo leva muitos homens a não fazerem os exames de próstata por acharem que o toque retal, que é apenas uma das ferramentas de avaliação junto com o exame de sangue PSD e a ultrassonografia, vai interferir na virilidade deles. Esse é o câncer que mais atinge os homens e tem quase 100% de chances de cura se descoberto antecipadamente”, alerta o professor Rodrigo Dias. Apesar de ter um organismo no geral mais forte e resistente, os números da saúde masculina causam preocupação. Além de não procurarem tanto exames quanto as mulheres, o índice de doenças como cirrose e doenças pulmonares acabam sendo muito maiores pela questão cultural. “Para um homem mostrar que é forte, muita gente ainda pensa que tem que beber e fumar muito, e esse descontrole acaba se revertendo em doenças”, explica Rodrigo.
O medo dos exames ou do resultado deles tem levado a um fenômeno estranho na saúde pública – em algumas cidades, a demanda por exames é inferior à capacidade. Em Cascavel, no Paraná, o hospital municipal tem capacidade para realizar 160 sessões de tomografia por semana, mas em média atende apenas um terço disso. “O sistema de saúde público tem muitas lacunas, com alguns exames ficando indisponíveis para boa parte da população, que também não tem como pagar pelo serviço na iniciativa privada pelo valor alto”, informa Rodrigo, destacando que o medo dos exames não pode ser um entrave nessa equação cujo resultado pode ser a morte.
(Diário do Pará)
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