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Intolerância Zero

Durante muitos anos torci para que o personagem de Charles M. Schulz, o mundialmente conhecido Charlie Brown (minduim para os íntimos), chutasse a bola de futebol americano, segurada pela sua amiga Lucy Van Pelt. Cresci com esse desejo, sempre refleti se

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Durante muitos anos torci para que o personagem de Charles M. Schulz, o mundialmente conhecido Charlie Brown (minduim para os íntimos), chutasse a bola de futebol americano, segurada pela sua amiga Lucy Van Pelt. Cresci com esse desejo, sempre refleti se esta tira em particular, era uma injustiça recorrente ou uma simples brincadeira de crianças testando seus limites?

Fui surpreendido com um vídeo denominado, “chute ruim, minduim”. Será que o meu sonho de infância seria realizado? Infelizmente não, pois, os trinta e seis segundos de duração do vídeo, mostraram exatamente onde viemos parar. Charlie Brown, sai correndo em direção a bola, enquanto Lucy segura a mesma com um sorriso malicioso, de repente, Charlie Brown alcança as duas, faz um movimento de chute e ARRANCA A CABEÇA DE LUCY, em seguida descem as letras ensanguentadas formando a palavra “Fatality”, fazendo uma alusão ao game Mortal Kombat.

A violência e a intolerância, fazem parte do DNA da diversão não supervisionada. Pássaros que enganam pessoas, gatos que batem em ratos ou vice e versa, coelhos que atiram em humanos, etc. O entretenimento sempre foi uma válvula de escape, muitas vezes desconectado totalmente da realidade. O que ninguém observou, é que a relativização do herói, enfraqueceu a educação e deu espaço para atitudes a muito tempo denominadas inadequadas. A cultura do anti-herói, vem ganhando força e público mundo a fora, estamos acostumados a ver os personagens “bonzinhos” acabarem mal em muitas histórias, e os “malvados” acabarem saindo de coadjuvantes para protagonistas com extrema facilidade. Jack Sparrow (piratas do caribe), vira decoração de aniversário infantil, personagem principal em game famoso, camisetas e acessórios. O que ninguém reforça, é que o pirata em questão, é um vigarista, ladrão, oportunista, dentre outros adjetivos que nenhuma mãe deseja ouvir chamarem seu filho ou filha.

Até as mocinhas me surpreendem negativamente, protagonizando brigas horríveis nas escolas, ofensas absurdas em redes sociais, campos de futebol, parques e clubes. É a disseminação da cultura de morte, cada vez mais unissex.

Quando um assassino degola um jornalista em rede internacional de televisão e internet, não podemos explicar o fato unicamente pelo aspecto sócio político. Este exemplo em particular, é um crime contra a humanidade. Infelizmente atitudes violentas “viralizam” mais facilmente do que conteúdos educacionais e religiosos. Brincar e rir do que não tem graça, acostuma o indivíduo a ser inerte diante da realidade.

A paz precisa ser mais estimulada e atrativa. Mães educadoras, precisam incessantemente educar seus filhos e alunos para o caminho do bem. A prevenção é sempre o melhor remédio, para isso, escolha bons filmes, desenhos, livros. Não estou sugerindo a alienação, estou sugerindo que se apresente o belo, o humano, o ético, o moral, como ferramentas indispensáveis para uma vida harmoniosa e fraterna. Não podemos admitir, que em pleno século XXI, a inteligência seja usada para destruir, agredir e humilhar nossos semelhantes reais ou virtuais.

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