Uma pesquisa feita pelo Instituto IBOPE, em parceria com a Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC), revela um dado alarmante: a maior parte da população feminina desconhece a relação entre câncer de colo de útero e o HPV (Papiloma Vírus Humano). 83% das mulheres já ouviram falar do vírus, no entanto, 66% não o relacionam ao desenvolvimento de câncer no colo de útero.
Os fatores de risco para esse tipo de câncer ainda são desconhecidos para 38% das brasileiras e 31% delas nunca fizeram, ou realizaram apenas uma vez na vida, o exame papanicolau — principal método preventivo usado para o diagnóstico do câncer, que deve ser feito anualmente. "O câncer do colo do útero é um tumor que se desenvolve a partir de alterações chamadas de
lesões precursoras. São totalmente curáveis na maioria das vezes, mas se não forem tratadas podem se transformar em câncer", alerta a oncologista clínica Paula Sampaio.
A principal causa é o HPV. Existem mais de 100 tipos diferentes de HPV, transmitidos pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas por meio de relação sexual. Também pode ser transmitido de mãe para filho no momento do parto.
A infecção pelo HPV é a DST mais frequente que existe. Cerca de 50% da população sexualmente ativa vai entrar em contato com o HPV em algum momento da vida. Pelo menos 13 tipos de HPV são considerados oncogênicos (com potencial para causar câncer), apresentando maior risco ou probabilidade de provocar infecções persistentes e estar associados a lesões precursoras. Sem prevenção, números da doença crescemA falta de conhecimento das causas e da importância da prevenção colocam o câncer de colo de útero como o terceiro tumor maligno mais comum na população feminina do Brasil, sendo superado apenas pelo câncer de pele e pelo câncer de mama.
O INCA (Instituto Nacional do Câncer) informa que em 2014 o Brasil deve chegar a 15.590 casos novos da doença. Proporcionalmente, a Região Norte tem a maior incidência, com cerca de 23 casos para 100 mil habitantes. Em 2014 já foram registrados 1.890 casos na região. O Pará já tem 830 casos de câncer de útero. 260 casos na capital, Belém. "Em nosso Estado, o câncer de colo de útero mata mais do que o câncer de mama. Os números do Ministério da Saúde são preocupantes e os profissionais de saúde precisam ficar alertas para orientar as pacientes sobre a prevenção", ressalta a médica Paula Sampaio.
Dados mais recentes do Sistema de Informação sobre Mortalidade (Sinam) do MS indicam que no Brasil aproximadamente 685 mil pessoas são infectadas pelo HPV a cada ano, e 4.800 mulheres morrem em decorrência do câncer de colo do útero.
Campanha - Em 2014, o Sistema Único de Saúde (SUS) lançou uma campanha nacional para imunizar meninas de 11 a 13 anos contra o HPV. A vacina aplicada no Brasil é a quadrivalente, recomendada pela Organização Mundial da Saúde, com eficácia de 98%, protegendo contra os quatro tipos de HPV mais perigosos. A campanha tem apresentado resultados positivos no Pará. O governo federal adquiriu para o Estado 538.120 doses da vacina, que são suficientes para as duas primeiras fases da vacinação. As doses foram enviadas aos 144 municípios pela Sespa, por meio da Coordenação Estadual de Imunizações. A primeira fase aconteceu em março, quando 201.159 meninas no Pará receberam a dose inicial, ultrapassando em 3% a meta de cobertura estipulada pelo MS, que foi de 80%. A segunda etapa da vacinação foi iniciada no dia 1° de setembro e está em andamento. Devem receber a segunda dose da vacina as meninas de 11 a 13 anos que tomaram a primeira dose na fase inicial da campanha.
O Ministério da Saúde recomenda que a adolescente seja submetida a três doses da vacina, sendo a segunda seis meses depois da primeira, e a terceira, cinco anos após a primeira dose. Em 2014 está sendo vacinado o primeiro grupo, de 11 a 13 anos. Em 2015, a vacina passará a ser oferecida para meninas de 9 a 11 anos e em 2016, às de 9 anos.A vacina faz parte de uma estratégia de prevenção que inclui a orientação às meninas que ainda vão iniciar a vida sexual e incentivo ao exame papanicolau ou PCCU. Nesse sentido, o MS orienta que mulheres na faixa etária dos 25 aos 64 anos não deixem de fazer o exame preventivo.
(DOL, com informações da assessoria)
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